quarta-feira, 22 de junho de 2016

87 dias de viagem. 86º dia. Tô voltando




22 de junho de 2016
Foram dias incríveis e uma oportunidade maravilhosa. Visitei lugares da Costa Oeste, Oeste e Costa Leste.
Foi um privilégio estar e ter amigos tão queridos em cada um desses lugares.
Para mim, foi um resgate de amizades antigas que o tempo e a vida haviam afastado.
Encontrar Geisa Natalli em LA e ficar na sua casa foi uma delícia. O seu sorriso me encanta e aquece meu coração. Foi bom ver como ela vive por lá e como Geisa e Rodrigo são apaixonados um pelo outro. Ficamos pouco tempo juntas, mas foi muito bom.
Silvye e David me acolheram por mais de dois meses em sua casa. Não tenho como agradecer tanto carinho e cuidados. Me levaram para conhecer a vida no Oeste e suas belezas naturais. Pude acompanhar o desenvolvimento do projeto do casal, o B&B Beija-Flor. Documentei a construção da grande cozinha onde irão receber os hospedes e fazer comidas deliciosas. Convivi com Daniel e gostei de ver como ele se tornou uma pessoa interessante e com um coração enorme. Deixei Utah, mas Utah ficou nas minhas melhores lembranças por tudo que vivi, pelas pessoas que conheci e pela sua beleza exuberante.
Nos últimos 15 dias da viagem vim para Costa Leste me encontrar com Dulce e Christian. Amigos antigos que não via há mais de 17 anos que me receberam de braços abertos. Me levaram para conhecer outras paisagens passando pela Nova Inglaterra e abrindo as portas e segredos de New York. Da tranquilidade da primeira semana em Block Island caímos no turbilhão de New York. Uma semana de cultura e arte. Uma semana maravilhosa.
Obrigada amigos, foi tudo muito bom, muito intenso e muito rico.


Mas, agora...Camila e Dado



terça-feira, 21 de junho de 2016

87 dias de viagem. 85º dia. Encáustica

Flag. Jasper Johns

85º dia. Encáustica
21 de junho de 2016
A pintura encáustica é minha paixão. Trabalho com ela há mais de 10 anos pesquisando, estudando e descobrindo coisas novas, conhecendo trabalhos antigos e novos artistas.
No Metropolitan Museum of Art em Nova York, tive a oportunidade de ver os retratos de Faium ou Fayum feitos com a técnica encáustica no período em que o Egito estava sob o domínio de Roma entre 305 a.C. à 30 a.C. conhecido como Egito ptolemaico. Os corpos dos membros das classes altas eram mumificados, colocados em caixões decorados e eram colocadas máscaras para cobrir as cabeças. São essas máscaras ou retratos que encontrei no Met e são incríveis pela sua beleza, cor, brilho. Os retratos nos olham e podemos ver como as pessoas se vestiam, arrumavam os cabelos e que joias usavam. Falam de um tempo que se perpetuou.
No MoMa encontrei Jasper Johns, Flag (1954), ele é feito usando encáustica, tinta á óleo e colagem com recortes de jornal sobre uma placa de madeira. Entre a pintura das faixas vermelha e branca é possível ver a colagem do jornal por baixo dela. Percebe-se a cera derretida e em algumas partes escorrida na superfície da pintura.
Em Salt Lake City, Utah, fui conhecer o ateliê do artista Jeff Juhlin que me mostrou um pouco do seu trabalho e sua técnica. O seu trabalho é sobre a descoberta, e possibilidades. Trabalha sobre as camadas, sobre o fluxo das coisas imaginadas. Jeff trabalha acumulando camadas de materiais, imagens e cores.
E por fim no Whitney Museum me deparei com a escultura enorme toda feita de cera, do artista Urs Fischer, “Standing Julian” (Julian em pé). A escultura é acesa pela cabeça todos os dias pela manhã e à noite é apagada, dessa forma ela irá derreter lentamente ao longo da exposição Human Interest: Portraits from the Whitney's Collection. A exposição teve início em 27 de abril de 2016 e vai até 12 de fevereiro de 2017. Gostaria de ver o final.
Assim, iniciamos com as máscaras mortuárias que buscavam o eterno, terminamos com a vida derretendo, modificando, se transformando.

O perene e o efêmero.


sábado, 18 de junho de 2016

87 dias de viagem. 82º dia. Pequenos encontros


82º dia. Pequenos encontros
18 de junho de 2016
Já errei na conta dos dias que estou aqui, mas sei já faz bastante tempo.
Andar por New York é sempre uma surpresa e novidade. Você pode fazer diferentes tipos de passeios. Ir aos museus e se encantar com a riqueza e multiplicidade de obras de arte que cada um tem para oferecer. Passear pelos parques e aproveitar essa época de calor, sentar na grama, ver as pessoas passarem, assistir aos espetáculos no parque. Fazer visitas em lugares que foram locação de filmes, que são muitos e visitar a cidade sob a perspectiva de quem vive por aqui.
Hoje fui tomar café da manhã na The Hungarian Pastry Shop, que fica perto da Columbia University, e na frente está a Cathedral Church of Saint John the Divine. O lugar estava lotado, não foi possível sentar do lado de fora, mas isso foi bom, pois deu para sentir melhor o clima do lugar. Nas paredes do lado do balcão está exposto o menu.
Pedi um Danish Cheese, não tenho a menor ideia de como é feito, mas é divino. O cappuccino estava maravilhoso. É preciso sair correndo para não cair em tentação e pedir mais.
Na parede oposta do balcão estão expostas todas as capas de livros que foram escritos no local. Percebi que haviam clientes com seus Laptops escrevendo alguma coisa e uma moça loira escrevendo à mão à minha frente.
Deve ser um bom começo.
A Cathedral Church of Saint John the Divine impressiona pelo tamanho, com grandes vitrais, lembrando as igrejas góticas da Europa, mas o que mais me chamou a atenção foi como eles aproveitam o espaço para expor arte, site specifique. O artista Tom Otternes doou suas figuras de cerâmicas que estão expostas nas colunas da catedral, Life and Death. Em 2015 o artista chinês, Xu Bing fez uma instalação de sua escultura “Phoenixes” que ficava suspensa em toda a nave central da igreja.
Saímos da catedral rumo à feira orgânica que fica na esquina da 110th St com a Manhattan Ave. No caminho de volta para casa vi umas pessoas pintando o gradil do Morningside Park, voluntariamente, para deixar o lugar melhor para todos.
Gostei.
Me fez feliz.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

87 dias de viagem. 78º dia. Block Island



17 de junho de 2016
Block Island fica no estado de Rhode Island, 4 horas de viagem de carro de New York pela I-95 N. Para chegar até a ilha é preciso atravessar por uma balsa que demora mais ou menos uma hora. A paisagem é linda, o vento é frio, as cores fortes, e o casario é vitoriano. Me lembrou o filme “Somehere in Time” ou “Em algum lugar do passado”.
A casa que ficamos está localizada no alto da colina e avista-se o mar. Todos os dias tivemos o espetáculo do pôr do sol à nossa frente. Durante o dia alguns barcos à vela passeiam à nossa frente. Não é possível ficar cansado com a paisagem, apenas o vento nos expulsa.
Caminhar pela ilha é uma ótima opção. Existem vários caminhos internos que se chamam Green Way, consegui fazer boa parte deles e conheci os dois faróis da ilha, do sul e do norte. Os Greens Ways, são caminhos verdes entre as propriedades onde é possível passear sem incomodar os seus donos. Os muros de pedras são heranças dos primeiros moradores que vieram da Holanda e da Inglaterra. As pedras são empilhadas umas sobre a outras e fixadas apenas pelos encaixes e pesos.
A mãe do Christian comprou a casa na década de 1960. A propriedade consistia da casa pequena e de uma casa maior. Uns anos depois ela vendeu a casa grande ficando apenas com a pequena para a temporada de verão. Na porta dos quartos da pequena casa tem números porque antigamente as duas casas faziam parte de um hotel. A casa tem muitos móveis, objetos e livros, muitos livros sobre a mesinha central, nas estantes e mesas. Suas janelas são pequenas e algumas enfeitadas com garrafas coloridas. Toda essa acumulação de coisas oferece mistério e conforto. É gostoso ficar na sala e ir descobrindo os objetos e quadros. Existe um charme especial na casa. Me lembrou a casa de Vera Ferretti na Praia Grande do Bonete.
As árvores de toda a ilha estão carregadas de casulos de taturana que se chama Tent Caterpillar. Na casa do Christian elas caminham pelo deck, sobem nas paredes externas e uma subiu na minha calça. Retirei gentilmente com um galho lembrando do mestre Rogério Ferretti.

O aparecimento de grande quantidade de Caterpillar está em seu segundo ano na ilha. Segundo o jornal local, essa invasão ocorre a cada 10 ou 12 anos. Elas gostam muito das plantas de frutos silvestres como cerejeira, macieira, crabapple que é uma maçã pequena. A Caterpillar põe seus ovos nos galhos das árvores onde o sol bate mais forte e em volta cria um casulo que lembram os trabalhos do artista Ernesto Neto (talvez seja o contrário). Sua coloração é bege, um pouco translúcida lembra uma meia de seda.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

87 dias de viagem. 71º. New York, New York


10 de junho de 2016
As viagens são sempre queridas e esperadas. Sonhamos sempre com nossas próximas férias e nos imaginamos passeando pela praia, ou conhecendo novas cidades ou locais que passamos a vida querendo conhecer. No Brasil, temos um ditado que diz: “O melhor da festa é esperar por ela.”
Eu, particularmente adoro esses momentos de sonhos e planos, mas odeio o momento da locomoção para algum lugar.
Sempre, sempre, sempre é um estresse.
Sair de um lugar para o outro com muita mala é pior ainda.
Sai de Salt Lake City com uma mala que cabia uma família de quatro pessoas dentro, uma mala média e uma mala de mão.
Um horror...
Dois meses e uma semana em um lugar junta muuuuuita coisa.
Mas consegui chegar em New York, levar um choque de realidade no aeroporto La Guardia e me sentir confortável no apartamento de Dulce e Christian com um nova e bela paisagem na janela do meu quarto.

Agora vamos passar o fim-de-semana em Block Island.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

87 dias de viagem. 69ºdia. Obrigada Salt Lake City


8 de junho de 2016
Amanhã vou embarcar para New York.
Hoje é meu último dia aqui em Salt Lake City. 
Ontem David falou que vou sentir falta das montanhas daqui.
Acho que ele está certo. Toda manhã a primeira coisa que vejo da minha janela são as montanhas rochosas do Leste. Assim que cheguei por aqui elas estavam nevadas. Para meus olhos tropicais, era uma maravilha olhar aquele branco escorrendo pelas montanhas. Com o tempo esquentando a neve foi derretendo e, agora somente nos picos mais altos encontramos pinceladas de branco.
Todos os dias faço uma caminhada, às vezes pelas ruas perto da casa e outras pela trilha que leva para o alto das montanhas. É nessa trilha que percebemos como o rio está mais cheio e mais forte. A neve derrete e corre para os rios tornando-os caudalosos. Ao caminhar na trilha a gente percebe a força da água que desce da montanha. A trilha fica mais fresca quando estamos perto do rio, pois sobe um arzinho gelado daquilo que foi neve. Nos dois caminhos, da trilha ou perto da casa, as montanhas estão lá, majestosas, impressionando pelas cores, pelas sombras, pela beleza e pelos mistérios que estão sempre sussurrando.
Para escutar é preciso saber ouvir...
Sshhhhh
Vou sentir falta das montanhas, do sossego, da beleza da natureza e dos amigos que aqui fiz.
Vou sentir muita falta de David que se tornou meu melhor Sargent Master Blaster amigo e que me recebeu com tanto carinho.
Vou sentir falta do Daniel com seu jeito tímido e amoroso de conversar com as pessoas.
E, mais do que tudo, vou sentir muita, mas muita falta de minha amiga-irmã Silvye que ama. Ama muito e eu a amo também e por isso, vou sentir falta das nossas conversas, discussões e de estarmos juntas.
Foi ótimo.
Ah, vou sentir falta de Charlie, meu companheiro de caminhadas.

Agora...New York, Dulce e Christian.
video

quarta-feira, 1 de junho de 2016

87 dias de viagem. 62º dia. Encaustic Painting

01 de junho de 2016
Tantos dias depois, tantas experiências vividas e hoje conseguimos montar nosso primeiro workshop. O celeiro não ficou pronto e arrumamos o porão para trabalhar.
Ontem fomos em uma thrift store, chamada Deseret Industries, comprar panelas para fazer encáustica básica. As thrift store vendem coisas de segunda mão, como roupas, sapatos, brinquedos, material de cozinha, etc. Chegando lá descobri que estava na loja certa, uma alegria. Compramos bandeja térmica, uma panela elétrica para fazer fondue, forminhas e colheres de pau. Enfim, todo material que estava faltando para fazer funcionar o estúdio de encáustica.
Preparei a encáustica básica para deixar um bom material de exploração e experiência para Silvye depois que eu voltar para o Brasil.
Shari, amiga de Silvye se juntou a nós. Ela é enfermeira e sempre procura trabalhar com arte para sair um pouco do ambiente estressante de seu trabalho.
Passamos o dia juntas, Shari, Silvye e eu. Dei aula de encáustica em inglês, fiquei orgulhosa de mim mesma. Shari ajudou muito, pois tinha noção de espanhol e Silvye me socorria nos momentos mais difíceis de comunicação. 
Me sinto plena e feliz de ter vivido esse momento de delicadeza e conexão com algo além da palavra que foi compartilhado durante esse dia juntas.

A arte transcende.