quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Zentangles e Encáustica no Ateliê



Os criadores dos Zentangles são os americanos Rick Roberts e Maria Thoas. Os Zentagles são uma combinação da arte desenvolvida por Maria e da meditação de Rick. Quando Rick observava Maria em seu trabalho, notou que ela entrava em um alto nível de concentração. Percebeu que Maria experimentava o mesmo tipo de experiência que é possível de se obter por meio da meditação. Juntos criaram uma série de exercícios que proporcionam a qualquer pessoa entrarem em um estado de concentração e relaxamento enquanto criam bonitas imagens usando padronagens repetitivas. Ao encontrar essa técnica iniciei o desenvolvimento desses exercícios e notei que eles têm a capacidade de nos centrar, nos acalmar e nos oferecer grande concentração que potencializa o lado criativo do cérebro. Fiz muitos estudos, li alguns livros e incentivei alguns amigos a desenvolverem essas habilidades de desenho onde encontramos nosso espaço sagrado, nosso foco de relaxamento.
Agora, no Ana Carmen Ateliê de Artes estamos desenvolvendo encontros com essa técnica, junto com a encáustica. São momentos de muito prazer, relaxamento e auto descobrimento. Vejam um pouco de nossas experiências.
Trabalhos desenvolvidos por Zaíra Abreu

sábado, 23 de novembro de 2013

Encáustica I com Giancarlo

Passo a passo das explorações


Preparação do suporte.
Primeiras camadas de éncáustica
Fusão  


Criando superfícies lisas com encáustica pigmentada


Encáustica sobre madeira . Pintura chapada

Experimentando textura
Trabalhos com pintura chapada e com textura

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Ana Carmen Nogueira - Ateliê de Artes: Invenções

Ana Carmen Nogueira - Ateliê de Artes: Invenções: Arte: Zaira Abreu Postado por Empreendedorismo Rosa em: 22/11/2013 às 6:00 Qual a diferença entre inventar e mentir? Perguntou Ped...

Invenções


Postado por Empreendedorismo Rosa em: 22/11/2013 às 6:00

Qual a diferença entre inventar e mentir? Perguntou Pedro Cezar a Manoel de Barros em seu curta “Só dez por cento é mentira” (2008) – Para o poeta Manoel de Barros mentira é algo que você diz que fez, mas que realmente não fez. Já invenção é algo que serve para aumentar o mundo.
Não é lindo pensar nisso? Quando estamos inventando, estamos aumentando o mundo, oferecendo novas possibilidades. Quando inventamos tomamos posse do objeto inventado.
O que é isso? Pergunta assustado o observador.
É um mundo que acabei de inventar. Responde o arteiro sorrindo.
Então é isso. A invenção vem carregada de imaginação criadora, liberdade e também uma grande responsabilidade por aquilo que se cria. É algo que sai de dentro de nós, de nossos pensamentos, sonhos e emoções. Libertadora e assustadora.
Eu fiz isso? Fiz com minhas próprias mãos, com meus próprios pensamentos, com minhas ideias simples? Fiz nascer uma poesia, uma música, uma cor, um sonho, um sussurro. Pulei o muro e surgiu um mundo novo. Sai da caverna e deixei de olhar o mundo de sombras para um mundo de possibilidades.
Então, fico aqui em meu ateliê pensando em como apresentar as coisas que invento e que gostaria que outros viessem inventar comigo.
Outro dia, vi o sol nascer nos olhos de Zaíra. Ela é dentista, diz que não sabe desenhar e que não tem habilidade para criar. Zaira frequenta o meu ateliê e em uma de nossas explorações, ao encher a folha de papel com bolinhas foi inventando novos espaços, criando desenhos incríveis. Ela inventava espaços e aumentava seu mundo e ao verificar o que havia feito seu olhar se iluminou. Poetizou.
Como estou empreendendo algo, me vejo aqui refletindo sobre um plano de negócio do ateliê, pois é nisso que trabalho todos os dias. Resolvi tentar responder às perguntas que se faz para montar um belo plano. Por que isso? Primeiro, porque acredito na arte como fonte poderosa de transformação e conhecimento do mundo. Segundo, porque estou inventando algo para ajudar a aumentar o mundo de outras pessoas e o meu também. Adoro o trabalho de transformar, de “transver” o mundo junto com outras pessoas. Ao aumentar o nosso mundo conseguimos nos conhecer melhor e criamos novas soluções para problemas que encontramos e muitas vezes a criamos novos problemas ou desafios
O que estou vendendo?
Possibilidades de invenção de mundo. Inventar algo é um desafio às possibilidades. Desafio ao uso de materiais, formas, espaço e pensamentos.
Quem vai comprar?
Todos aqueles que querem reinventar o mundo.
Como sua ideia irá ajudar as pessoas? Acredito que as pessoas, ao perceberem que são capazes de um novo olhar, podem oferecer novos significados sobre as coisas e assim descobrir mundos que estavam invisíveis. A descoberta de novos mundos internos e externos nos humaniza. Descobrir sua própria fonte é primordial para inventar algo que ainda ninguém viu.
Para que serve esse mergulho dentro do ateliê de artes?
Serve para dar encantamento à vida.
Vamos inventar?
O olho vê,
a lembrança revê,
e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.
Manoel de Barros
Ana Carmen Nogueira, Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Graduação em Artes Plásticas. Especialista em Educação Especial com aprofundamento na área de deficiência visual e Arteterapia. Consultora do Curso Fazendo Arte na Escola Inclusiva do Programa de Educação Inclusiva (PEI) – Osasco da OSIP Mais Diferenças. Desenvolve pesquisa de pintura encáustica, ministra cursos desta técnica e atua como Arteterapeuta no Ana Carmen Nogueira Ateliê de Artes





segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Não é preciso ter olhos para ter uma visão

Fonte de Imagem: Recorte do painel tátil - Arquivo da autora

Costumamos encarar a deficiência como uma insuficiência, uma carência de algo que não pode ser restabelecido, o não-ver pode vir a significar para muitos o fracasso nas relações humanas e no desenvolvimento profissional e intelectual.
Fonte de Imagem: Recorte do painel tátil - Arquivo da autora
Recentemente tive a oportunidade de assistir a uma palestra da irlandesa Caroline Casey, empreendedora social que traz a mensagem que devemos acreditar em nós mesmos e que todos têm habilidades a serem desenvolvidas e valorizadas.
Quando Caroline Casey subiu ao palco e iniciou sua apresentação no 3º Fórum Momento Mulher no Hotel Unique, no último dia 07 de outubro de 2013, ela dominou a plateia que se assombrou com a vibração e a força daquela mulher cega que afirmava que não era preciso ter olhos para ter uma visão e mostrou a importância de se ter um olhar para além da deficiência, como pessoas com potenciais plenos de direito.
Sua fala me fez lembrar meu trabalho no ateliê de artes para pessoas com deficiência visual, e de como é espantoso para muitos o trabalho com artes para esse grupo de pessoas. Pessoas cegas fazendo arte?Sim fazendo arte, entendendo arte, multiplicando saberes, e mais que tudo acreditando, se descobrindo e compreendendo mais o mundo.
No último dia 15 de outubro, ofereci uma oficina de artes táteis na OSIP Mais Diferenças que trabalha Educação e Cultura Inclusivas. Entre os participantes havia um rapaz que ficara cego há sete anos. Antes disso ele atuava como grafiteiro, depois da perda da visão não havia mais trabalhado com artes. Chegou acompanhado de uma amiga, foi tateando os trabalhos, percebendo o que estava acontecendo. Sentou-se em uma cadeira pegou um pedaço de arame e moldou a metade de uma face. A outra metade fez com jornal. Juntos, fomos montando de acordo com suas orientações. Com o trabalho pronto um largo sorriso surgiu junto com um grande suspiro de desabafo que parecia dizer – estou de volta.
Assim como Caroline Casey, o rapaz grafiteiro, ambos carregam a força da superação e potência para a transformação de toda a sociedade. Pessoas com deficiência nos ensinam eficiência, nos ensinam a ver o mundo por outras perspectivas. Elas nos ensinam a sermos melhores.
Vygotski (1997) afirmava que o que torna uma pessoa cega ou com baixa visão, deficiente, é sua exclusão da sociedade, do mundo cultural, do convívio com os outros.
Acredito no papel da arte como força inventiva e criadora a ser explorada por todos os sentidos. Acredito que a experiência artística possa proporcionar maior abertura para o mundo para as possibilidades que se apresentam e tem a capacidade de ampliar as relações sociais. Mas, além disso, acredito no potencial humano e que cada pessoa individualmente é uma esperança.
Ana Carmen Nogueira Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Graduação em Artes Plásticas. Especialista em Educação Especial com aprofundamento na área de deficiência visual e Arteterapia. Consultora do Curso Fazendo Arte na Escola Inclusiva do Programa de Educação Inclusiva (PEI) – Osasco da OSIP Mais Diferenças. Desenvolve pesquisa de pintura encáustica, ministra cursos desta técnica e atua como Arteterapeuta no Ana Carmen Nogueira Ateliê de Artes.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

O convite


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Fonte da imagem: Arquivo pessoal

Essa semana, finalizei os convites de casamento de meus sobrinhos. Foi um desafio. Primeiro porque estava lidando com as expectativas, esperanças e sonhos de duas vidas que resolveram construir juntas. E em segundo lugar porque, como artista, tinha que estar aberta a compreender a história que aquele casal queria contar.
Fonte da imagem: Arquivo pessoal
Não era para ser algo pronto que se compra por catálogo. Era para ser um objeto que se recebe como um carinho. Queriam compartilhar o momento em que estavam prontos para crescer e enfrentar juntos as coisas boas e as coisas não tão boas que a vida oferece.
Enquanto conversávamos para decidir por qual caminho seguir, imagens foram surgindo. As imagens conversam conosco, nos oferecem sentidos e também novos significados. As imagens contam histórias que fazem com que apareçam novas imagens que estarão também oferecendo novas narrativas. É por isso que arte é inventiva. Quanto mais prestamos atenção, mais histórias elas nos contam. Histórias juntam-se à imagem. Nossa mente viaja na lembrança que ela desencadeou. Quando retornamos de nossos devaneios, aquela pintura que estávamos observando não é a mesma. Ela se transformou, está carregada de conteúdos pronta para acrescentar novos. E assim inventamos mundos.
Ferreira Gullar disse que “a arte existe porque a vida não basta”. A arte existe porque existe uma necessidade do homem de inventar a vida. Por isso, dançamos, pintamos, fazemos poesia porque precisamos inventar. Mesmo que seja inventar um pequeno convite. Era preciso inventar um mundo de possibilidades. Um mundo para ser compartilhado com outras pessoas na esperança de oferecer um pouco de poesia nesta vida de espantos de todos os dias.
Foi assim que fiz uma pequena aquarela. Agora não é apenas uma aquarela, mas sonhos de Bruna e Alexandre, os meus desejos e talvez possa despertar naquele que a receber ecos de histórias, sussurros de narrativas, segredos escondidos.
Esperança.
Ana Carmen Nogueira é mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Graduação em Artes Plásticas. Especialista em Educação Especial com aprofundamento na área de deficiência visual e Arteterapia. Coordenadora do grupo de mulheres caiçaras “Saíras do Bonete” em Ubatuba, São Paulo. Desenvolve pesquisa de pintura encáustica no Ana Carmen Nogueira Ateliê de Artes.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Luiza

 


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Postado por Empreendedorismo Rosa em: 18/07/2013 às 6:00

Fonte da imagem: hubblesite.org

Das filhas da Dayse, Luiza é a que mais se parece com ela… Luiza veio para casa da minha mãe quando tinha 14 anos de idade. Nasceu no interior da Bahia, filha de uma família muito simples, enfrentou a infância com muitas carências.
Minha mãe contava que não queria aceitar uma menina para trabalhar em casa. Isabel, uma pessoa boníssima, foi quem apresentou Luiza. Isabel, tia de Luiza, trabalhou em nossa casa durante um tempo e voltou para o interior da Bahia para cuidar de seu sítio pelo qual possuía verdadeira paixão. Todo ano Isabel ligava para convidar mamãe para conhecer suas “vaquinhas”.
Meus irmãos e eu já estávamos casados. Mamãe morava com meu pai, que estava doente há muito tempo. Luiza foi um presente. Voltou a estudar, formou-se no ensino médio e fez curso técnico de nutrição. Acompanhou minha mãe em todos os momentos bons e os mais difíceis. Era ela que estava presente no dia a dia sofrido com o meu pai doente precisando de cuidados especiais. Ela esteve com ele até o final.
Com minha mãe aprendeu a fazer crochê e as delícias dos pudins que até hoje são disputados entre nós. Com a convivência, tornou-se parte de nossa família. Quando se casou, comemoramos no salão de festas do prédio onde mamãe morava.
Mamãe adoeceu e veio morar comigo. Neste período tão difícil para todos, Luiza estava ao meu lado como irmã. Passamos juntas pelo luto uma apoiando a outra e sou eternamente grata por tudo que ela fez.
Hoje vejo essa mulher com tantas coisas de minha mãe que me sinto reconfortada com sua presença aqui em casa. Luiza carrega a força e a determinação de minha mãe. Tornou-se uma mulher forte, batalhadora e justa. Não desiste, o mundo é para ser encarado pela frente.
Agora Luiza tornou-se empreendedora. Junto com o marido, entraram de sócios em um restaurante de comidas nordestinas na cidade de Embu das Artes, perto da praça central. Durante a semana, ela trabalha aqui em casa e nos finais de semana vai ajudar no restaurante.
Acredito que as pessoas, individualmente, podem ser verdadeiros poemas. Criações incríveis que nos levam a acreditar que podemos vir a ser melhores. Assim vejo Luiza com o mesmo êxtase de quando me deparo com uma obra de arte, com um poema que me toca, com uma música que me embala. Potência de uma obra criadora, de um vir a ser. Pulsão. Galáxias. Aprendeu a viver a vida como uma viagem e como dizia Paulo Leminski…“esta vida é uma viagem, pena eu estar só de passagem”.
Ana Carmen Nogueira é mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Graduação em Artes Plásticas. Especialista em Educação Especial com aprofundamento na área de deficiência visual e Arteterapia. Coordenadora do grupo de mulheres caiçaras “Saíras do Bonete” em Ubatuba, São Paulo. Desenvolve pesquisa de pintura encáustica no Ana Carmen Nogueira Ateliê de Artes.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Minha amiga professora “de nada”

 


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Minha amiga, Maria José Falcão, é professora “de nada”. Ela trabalha em uma escola no interior de São Paulo. Professora “de nada” não tem sala adequada, o material é escasso, mas é o nada que faz produzir coisas incríveis. Maria José em toda sua simplicidade “de nada” encanta na sua fala mansa quando conta histórias de seus alunos.
Em Monte Alegre do Sul (SP), o grupo de pesquisa em mediação cultural: Contaminações e Provocações Estéticas, do qual eu fazia parte, foi passar o final de semana que chamamos de Seminário de Verão. Estávamos todas trabalhando em nossos textos, discutindo teóricos de arte, apresentando pontos de vista quando, no meio do burburinho, chega Maria José tranquila, devagar, fala mansa, carregando seu material.
Continuamos a falar, discutir sem dar muita atenção. Estávamos divididas em duplas de trabalho e como chegou atrasada ficou sem par. Sentou-se tranquilamente na varanda aguardando a discussão se encerrar, seu texto já estava pronto, então sobrara o nada para ela.
Quando acabei meu trabalho de dupla, sentei ao seu lado. Olhei, distraidamente, por cima da mesa e vi uma frasqueira de couro vermelha dos anos 60. Meu olhar se deteve naquele objeto que me fez voltar no tempo, aqueceu meu coração, aguçou minha curiosidade. O que tem aí? Pergunto. No seu jeito simples de ser, cuidadoso e quase tímido, ela diz que são trabalhos dos alunos que trouxera para mostrar. Quer ver? Abre com cuidado e um universo surge: pequenos potes de vidro de tamanhos e formatos diferentes apresentam segredos poéticos descobertos durante as aulas “de nada”.
Muitas vezes as pessoas perguntam sobre o quê ela dá aula ao que responde sem o menor constrangimento “sou professora de nada”, é o grande nada da arte, a potência de ser, o invisível que torna visível, o não falado que torna expressão, o silêncio que torna pulsar.
Maria José explica que arte não tem um espaço na escola e sabemos que para muitas pessoas não tem lugar na vida, porque não serve para nada. Quantas vezes não escutamos de algumas pessoas que não gostariam que seus filhos se embrenhassem pelos caminhos da arte por não fazer parte do mundo real? No entanto são as coisas inúteis da arte que nos fazem explorar, que nos fazem questionar e que nos impulsionam a empreender. Nem todos nós seremos artistas, mas todos precisamos estar abertos para o mundo, precisamos ter coragem de bater as asas, de olhar um problema sobre uma nova perspectiva, e isso a arte nos dá. A arte provoca a curiosidade, desperta a inteligência, ensina a ver e ter ousadia no pensar.
Voltemos para os pequenos vidros que estavam dentro da frasqueira de Maria José. Inspirados pela música de John Cage de 4’33” de puro silêncio que são espaços de silêncios povoados de outros sons, cada aluno colocou o som que havia escutado dentro do vidro. Podia ser um som real ou o som da imaginação. Foram coletados os sons do bater das asas de uma borboleta, da água da goteira que cai na carteira, do pó do giz da lousa, da bolinha de papel, do pedaço de anel quebrado. Em cada vidro foi guardado o espaço da arte na escola.
Naquele momento de suspensão, nós, mulheres, pesquisadoras, arte-educadoras, ficamos em volta da mesa, na varanda, com o pôr de sol ao fundo, escutando Maria José e nos deleitando com as coisas “inúteis” que a arte nos proporciona.
Ana Carmen Nogueira é Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Graduação em Artes Plásticas. Especialista em Educação Especial com aprofundamento na área de deficiência visual e Arteterapia. Coordenadora do grupo de mulheres caiçaras “Saíras do Bonete” em Ubatuba, São Paulo. Desenvolve pesquisa de pintura encáustica, ministra cursos desta técnica e atua como Arteterapeuta no Ana Carmen Nogueira Ateliê de Artes.



sexta-feira, 24 de maio de 2013

O construtor de sonhos

O construtor de sonhos

Ladeiras :: Hernani Brettas
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Todos nós conhecemos ou deveríamos conhecer pessoas que se dedicam a construir sonhos. Essas criaturas podem ser expansivas, explosivas, vibrantes ou podem ser discretas, introspectivas, silenciosas. Não importa. O que importa é que são construtoras de sonhos.
Construtor de sonhos é aquela pessoa que tem a capacidade de colocar em prática um sonho, uma ideia. Ele é um empreendedor, pois agrega valores às coisas, se utiliza de materiais inusitados, se arrisca, caminha por lugares cheios de obstáculos pelo simples prazer de encontrar soluções inovadoras. Além de descobrir como tornar algo abstrato em concreto, ele tem o poder de nos encantar.
O encanto é essencial para ele, pois ao transpor para o concreto uma imagem ou fantasia,  faz viver outros mundos imaginários. Sonhos alheios. Um mundo onírico que era apenas dele torna-se real e se multiplica em milhares de outros que nem o próprio construtor havia sonhado.
Eu conheço um, ele é uma pessoa discreta, sorri para dentro, extremamente amoroso. Mineiro. Para mim, os mineiros são sempre amorosos.
Esse construtor cria narrativas. Histórias que não podem ser contadas apenas com as palavras. Hernani Brettas constrói, a partir de fotos, imagens tridimensionais. São ruas, vielas, fachadas, ladeiras, casarios, igrejas, esquinas, portas, algumas de Minas outras de lugares bem mais distantes. Aquelas pequenas e delicadas construções dão origem a várias histórias que vão trazendo para cada um, imagens-lembranças capazes de oferecer novas e diferentes narrativas. Quanto mais olhamos, mais contos interiores vão surgindo.
Vou contar um segredo. Carece observar com muito cuidado, em silêncio, para conseguir ouvir as histórias contidas em cada esquina construída. São histórias sussurradas em segredo para o observador mais atento. É preciso não ter pressa. Se for olhar com pressa a magia se esvai. Pare para entender e entrar no espaço ali criado. E assim nessa calma com alma, nesse tempo-espaço criado, você terá a oportunidade de ouvir o diálogo que se cria por meio dos ecos de narrativas contidas internamente com as narrativas contidas nas ruas e vielas criadas por Hernani. São sussurros, ventos, brisas.
Um último segredo, essas pessoas são generosas, pois oferecem espaços de expansão. Elas nos auxiliam a sonhar e a construir. Hernani auxiliou muitos a se tornarem construtores de sonhos. Eu agradeço.
Ana Carmen Nogueira é mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Graduação em Artes Plásticas. Especialista em Educação Especial com aprofundamento na área de deficiência visual e Arteterapia. Coordenadora do grupo de mulheres caiçaras “Saíras do Bonete” em Ubatuba, São Paulo. Desenvolve pesquisa de pintura encáustica no Ana Carmen Nogueira Ateliê de Artes.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Curso de Encáustica I

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Neste curso introdutório você irá aprender a fundir camadas encáustica, usando a pistola de ar quente. A pistola de ar quente é uma ferramenta imprescindível para a fusão. Vamos explorar as diferentes maneiras de aplicar a pintura e aprender tudo sobre pincéis, cores e mistura de cores, como trabalhar com os contornos, e como conseguir uma superfície lisa. Você também vai experimentar a explorar algumas texturas. Todos os materiais estão incluídos.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Desejos Urbanos




http://empreendedorismorosa.com.br/desejos-urbanos/


Sábado, dia 06 de abril de 2013, a Avenida Sumaré, em São Paulo, amanheceu diferente. Moro bem perto desta avenida.
Naquela manhã, tinha de passar por lá rumo a um curso de estêncil no Jardim Miriam Arte Clube – JAMAC. Estava apressada, atrasada, preocupada com o trajeto que conhecia pouco. GPS ligado, celular com mapa acionado, toda parafernália tecnológica dentro de meu carro. Dirijo pela avenida com olhar de motorista que olha sem enxergar o mundo à sua volta. Desconectada do entorno, conectada ao mundo virtual.
De repente começo a notar algumas coisas balançando nas árvores que ficam no jardim central da avenida. Barquinhos de papel pendurados às árvores por um fio. Vejo um, vejo outro e sou tomada de um encantamento que me desloca e me faz voltar a estar na rua, na cidade, e agradeço a quem colocou os barquinhos navegando pela avenida. Pura poesia.
Quero parar o carro e ver com mais cuidado. Não posso. Tenho que ir para o Jardim Miriam. Pego o celular e peço ajuda. Preciso de ajuda, não posso perder essa ação, esse movimento que me comove. Meu marido desce para ver, tirar fotos e depois me contar sobre o que viu e sentiu.
Chego ao JAMAC, uma associação sem fins lucrativos de artistas e moradores do Jardim Mirian, fundada, em 2004, pela artista plástica Mônica Nador. Ela é autora do projeto ‘Paredes Pinturas’ (2009). Este projeto aconteceu em uma comunidade de Santo André. Mônica e seu grupo trabalharam com esta comunidade dando vida às paredes de suas casas.
No JAMAC, todos os cursos (estêncil, cinema digital, estamparia, café filosófico) são gratuitos e abertos a todos, principalmente à população do Jardim Miriam, onde Mônica Nador trabalha e vive. Seu trabalho de pintura em estêncil quer transformar lugares e despertar o sentimento pertencimento. Ela disse:“Parto do princípio de que em maior ou menor grau para cada pessoa, a beleza pura e simples é um dado indispensável para a sua saúde mental, tendo como exemplo, principalmente, a minha própria experiência. Tenho ainda a convicção de que a nossa saúde mental é um item absolutamente decisivo na opção pela sobrevivência do planeta. Assim, apostando muito mais na vocação curativa/balsâmica/didática da arte que em qualquer outra que ela possa ter, minha intenção é fazer a dimensão do belo acessível ao maior número de pessoas possível.”
Volto para casa no meio da tarde de sábado, no domingo tem mais curso. Meu marido me conta sobre os barquinhos. Cada um deles tem um carimbo escrito ‘Desejos Urbanos’ e, junto aos carimbos diferentes, pessoas escreveram seus desejos para a cidade e penduraram nas árvores. Cada pessoa, que passava pelos barcos, lia os diferentes desejos.
Eu não tinha um barquinho pendurado em uma árvore da Avenida Sumaré, mas tenho meu desejo urbano. Desejo que pessoas empreendedoras criativas, como Mônica Nador, sejam ouvidas, vistas e reconhecidas porque elas fazem um trabalho transformador para melhorar nosso mundo.


Ana Carmen Nogueira é mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Graduação em Artes Plásticas. Especialista em Educação Especial com aprofundamento na área de deficiência visual e Arteterapia. Coordenadora do grupo de mulheres caiçaras “Saíras do Bonete” em Ubatuba, São Paulo. Desenvolve pesquisa de pintura encáustica no Ana Carmen Nogueira Ateliê de Artes.

terça-feira, 9 de abril de 2013

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Livro de Desenho - Memórias Guardadas

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Trabalho elaborado em caderno de cultura semanal de jornal diário da cidade de São Paulo. Encáustica sobre papel, desenho, pintura e bordado.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Casa do Alcindo

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Vídeo de fotos da visita ao ateliê de Alcindo Moreira Filho em São Paulo com o Grupo de Mediação Cultural: contaminações e provocações estéticas.

O que pode a arte?

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Postado por Empreendedorismo Rosa em: 30/03/2013 às 9:00 
 
Assisti, essa semana, o documentário de Werner Herzog – “A caverna dos sonhos esquecidos” (2010). A Caverna Chauvet fica no sul da França e é um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo, descoberto em 1994. Este sítio é fechado ao público e para filmar seu interior, Herzog obteve autorização do governo francês. A caverna ficou oculta durante milhares de anos em função de um deslizamento, o que fez com que o interior fosse preservado até os nossos dias. Lá dentro foram descobertas pinturas rupestres de uma riqueza impressionante datadas de 28 a 40 mil anos atrás.
Fonte da imagem: Reprodução
Mas o que há de tão extraordinário nessas pinturas?
O extraordinário é que elas falam de nós para nós. O tempo se dissipa, e escutamos nossos ancestrais. As pinturas estão vivas, frescas e exalam toda atividade humana. Vemos com clareza o traço humano que quer compreender o mundo. Lá encontramos o espírito humano desenvolvendo ideias, sensações e habilidades.
As imagens nos envolvem e nos emocionam. Por meio da arte do século XXI, a filmagem em 3D nos oferece a experiência de caminharmos por entre os corredores escuros da caverna, criou-se um diálogo com os primórdios da raça humana. Estamos em uma cápsula do tempo e ali compreendemos a grandeza do espírito humano. Não sabemos o porquê dessas pinturas nas paredes, mas a compreendemos em toda a sua força.
Essa talvez seja uma das grandezas da arte, proporcionar experiências significativas através dos séculos para aqueles que entram em contato com ela. A arte nos propõe diferentes formas de pensar, nos incentiva à pesquisa e a busca do novo.
O que faziam esses homens dentro da caverna pintando representações de animais que viviam em seu meio? Experimentavam, organizavam e se apropriavam de imagens criando um diálogo entre o mundo interno e o externo. Foi por meio da arte que o homem aprendeu com o outro. O ser humano inovou ao usar ferramentas para representar o seu mundo, explorar as possibilidades do meio e concretizar um objetivo. Cada material utilizado exigiu um aprender a pensar sobre cada uma de suas qualidades.
Ganhamos de herança de nossos antepassados essa capacidade inventiva, de comunicação e de criação que geram novas experiências. É nossa herança sermos seres simbólicos e empreendedores.
O que pode a arte?
Ela pode oferecer possibilidades, caminhos para a descoberta, para invenção. Valorize a sua herança cultural, experimente, invente, pesquise caminhe pelas diferentes formas de linguagem.
Ana Carmen Nogueira é mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Graduação em Artes Plásticas. Especialista em Educação Especial com aprofundamento na área de deficiência visual e Arteterapia. Coordenadora do grupo de mulheres caiçaras “Saíras do Bonete” em Ubatuba, São Paulo. Desenvolve pesquisa de pintura encáustica no Ana Carmen Nogueira Ateliê de Artes.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Banana Ouro do Bonete

Ganhei de presente um cacho de banana ouro da Ana Rosa. A banana ouro foi colhida do jardim dela. Jardim lindo, incrustado no pé do morro. A banana ouro era um cacho perfeito, amarelinho com umas pintinhas marrons espalhadas pela casca. A forma era perfeita, as bananinhas lindas, nem muito gordinhas nem muito magrinhas. Deliciosas.
Ana Rosa faz parte de um grupo de onze mulheres caiçaras conhecidas como Saíras do Bonete. Junto com elas, Vera Ferretti e eu, procuramos potencilizar talentos. Trabalhamos com o resgate das suas histórias, com as habilidades manuais para reinventar um artesanato que mostre a cultura da comunidade.
Essas mulheres começaram sua trajetória, há dois anos, quando iniciamos nossos encontros. Aos primeiros encontros elas foram porque queriam aprender a costurar, outras queriam aprender a fazer crochê ou tricô. Mas o que tinham em comum era a vontade de aprender, de crescer, de conquistar um espaço. Todas tinham desejos.
São os desejos que nos movem e nos fazem caminhar para frente. São os desejos que fazem com que nosso olhar se torne mais atento, os sentidos mais apurados e, assim, vamos fazendo ligações com as coisas que sabemos, com as coisas novas que entramos em contato. Dessa forma, nossa bagagem vai crescendo, nossa cabeça começa a trabalhar as conexões e, de uma maneira sutil e vertiginosa, começamos a criar. Os bloqueios vão caindo, os obstáculos vão sendo superados e nos empoderamos. Digo, a sensação é boa.
Assim encontro hoje o grupo de mulheres caiçaras, na Praia Grande do Bonete, procurando superar os bloqueios, quebrando os obstáculos. Ainda buscam uma identidade nos trabalhos, mas é uma busca criativa. Procuram e irão encontrar porque desejam.
Ganhei um cacho de banana ouro de Ana Rosa, mas na verdade ganhei ouro. Da minha parte retribui com uma simples aquarela do cacho de banana ouro. Não tem agradecimento que possa retribuir tudo o que recebo dessas mulheres empreendedoras caiçaras.
Ana Carmen Nogueira
Postado no blog -Empreendedorismo Rosa em: 23/02/2013
http://empreendedorismorosa.com.br/banana-ouro-do-bonete

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Cartão Postal série Bonete - Chichico's restaurante


Cartão postal artesanal feito em aquarela com cera de abelha e costurado. O cartão Chichico's é uma visão da cozinha de Dona Lourdes. Lá é possível fazer compras de mantimentos que faltam em casa como também saborear comidinha caseira feita no fogão à lenha. Parte da renda da venda dos cartões será revertida para o grupo de mulheres caiçaras "Saíras do Bonete". Vendas: ac.nogueira@terra.com.br

Cartão Postal série Bonete - Barcoíris

Cartão postal artesanal feito em aquarela com cera de abelha e costurado. O cartão Barcoíris retrata o quiosque que é ponto de encontro depois da praia. Parte da renda da venda dos cartões será revertida para o grupo de mulheres caiçaras "Saíras do Bonete". Vendas: ac.nogueira@terra.com.br

Cartão Postal série Bonete - Jade

Cartão postal artesanal feito em aquarela com cera de abelha e costurado. O cartão Jade foi feito em homenagem ao barqueiro Miro. Parte da renda da venda dos cartões será revertida para o grupo de mulheres caiçaras "Saíras do Bonete". Vendas: ac.nogueira@terra.com.br

No Bonete, ganhei o BBB

A Praia Grande do Bonete, a comunidade local, as mulheres caiçaras, Vera Ferretti e eu ganhamos de presente uma linda cronica de Ignácio de Loyola Brandão. A cronica foi publicada no dia 08 de fevereiro de 2013. Linda, obrigada Loyla.

Ignácio de Loyola Brandão - O Estado de S.Paulo
Como nas quermesses da infância, quando comprávamos números e ficávamos com o coração nas mãos, torcendo para ganhar na roleta um frango assado, um bolo, um brinquedo, Jair, o cantador das pedras, ia anunciando os números. Eu ouvia e me lembrava também do tempo em que jogava tombola na juventude: dois patinhos na lagoa, 22; dois machados num pau só, 11; idade de Cristo, 33; quá-quá-quá, 44; o mesmo número de qualquer lado, 8; começo do jogo, 1. Naquela época havia um número que provocava risos: é ele ou é ela? 24. O veado no jogo de bicho.

Não se diz mais tombola, é bingo. As cartelas são de papel, você marca com giz de cera, caneta, ou fura com palito de dente. As vendedoras de cartelas para cada rodada entregavam um palito para quem não tinha. Era o bingo do Dia de São Sebastião na Praia Grande do Bonete, em Caraguatatuba. Dia sagrado para minha família, o 20 de janeiro é também aniversário da Rita, minha filha. Da última vez, dois anos atrás, entramos, sentamos, as pedras começaram a ser cantadas. Na quinta, Rita saltou: "Deu aqui!" Um espanto, isso é raro. Levamos para casa um bolo de chocolate delicioso. Voltamos este ano decididos a repetir. O bolo de chocolate saiu para outro. Mas havia uma atração, um bolo de banana. Tudo coisa feita em casa. Cada morador leva uma prenda (assim se diz). Bordados, toalhas, tortas, pacotes de cerveja, boas cachaças. O início é marcado por rojões. Ao ouvir os estouros, todos deixam as casas e vão para o Tablado.

Não ganhar na primeira não significa desistir. Nosso grupo era de seis pessoas, comprávamos duas cartelas de cada vez. Tínhamos sido os primeiros a chegar ao Tablado, onde a comunidade se reúne para tudo - bingo, rezas, reuniões. No domingo de manhã, a convite de Renilva Norma Guimarães, mulher do barqueiro Zezinho - um campeão das corridas de barco do dia do santo -, fiz uma conversa sobre literatura. Havia locais, havia turistas, ou seja, nós, os poucos de fora, que alugam as raras casas disponíveis. O lugar é preservado, as praias são desertas, limpas, sem barracas de caipirinhas, sem salgados, sem churrascos, sem farofas, sem jet skis.

Areia, mar, beleza e sossego. O silêncio é cortado vez ou outra pelos barcos que vão até Ruínas da Lagoinha buscar ou levar alguém. Quem quer beber vai ao Barcoiris, onde há iscas de peixe, lulas, comidinhas e integração. Foi ali que recebi o livro com casos sobre o Bonete (e a história do lugar), escrito pelo Roberto Cury, médico que frequenta há décadas, tem casa ali. Na minha fala me vi frente a frente com algumas saíras. É como são denominadas as mulheres caiçaras que preservam tradições e fazem artesanato. Saíras são os pássaros coloridos que se aproximam quando deixamos frutas na varanda, no jardim. Sossego, barulho do mar, a imensidão da água.

Os de "fora" são aceitos lentamente. A população (apenas 75 pessoas) é boa, amabilíssima, hospitaleira, mas se contém, é preciso merecer para conquistar. Há um lindo livro sobre o Bonete, fruto de um trabalho organizado por largo tempo (ainda bem que tais pessoas existem) por Ana Carmen Franco Nogueira e Vera Maria Rossetti Ferretti. Ana é mestre em Educação, Arte, História da Cultura e graduada em Artes Plásticas; Vera é mestre em Psicologia Clínica, psicoterapeuta e arteterapeuta. Com tais títulos poderiam ser acadêmicas sensaboronas, de linguagem arrevesada. Que nada! Pé no chão, conversadoras, falam de igual para igual com todo mundo, me lembraram a doce e rígida Ruth Cardoso, uma biografia que amei fazer, mulher insuperável. O trabalho de Ana Carmen e Vera Maria é pura antropologia moderna.

Neste livro, Saíras do Bonete, que podemos encontrar no Xixico, armazém-empório-vende-tudo da Lourdes, está uma história de emoção: como as mulheres caiçaras veem a vida, seus sonhos, o que querem para si e para seus filhos. Adelaide, Ana Rosa, Aurora, Cláudia, Claudineia, Graziela, Inocência, Juliana, Lourdes, Margarida, Michele, Renilva formam uma rede comunitária. Elas aderiram aos encontros com Vera e Ana Carmen dispostas a resgatar valores e culturas adormecidas, além de organizar um grupo forte e unido. A história de cada uma emociona pela força, luta, firmeza, poesia. Ao longo de meses, contaram suas vidas e teceram uma colcha em que cada desenho é um episódio em si, um sonho e um desejo. Esta colcha pode ser uma bandeira do Bonete, comunidade que resiste e se recusa a desaparecer, a ser engolida. Saíras do Bonete. Vozes que querem se fazer ouvir. Elas não sabem, mas fazem parte do grande movimento feminino do mundo, conquistando espaços, lugares, força.

No bingo, quase no final, chegou a hora do bolo de banana cobiçado. Jair, cheio de humor, avisou: e agora, o BBB. Todos olharam, surpresos. BBB? Ele acrescentou: o Bolo de Banana do Bonete. Saiu para nosso grupo. Ao deixarmos o Tablado, um mundo de gente correu para nosso banco, afinal, levávamos quatro prendas. Banco da sorte.




http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,no-bonete-ganhei-o-bbb--,994600,0.htm