quinta-feira, 18 de abril de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Desejos Urbanos




http://empreendedorismorosa.com.br/desejos-urbanos/


Sábado, dia 06 de abril de 2013, a Avenida Sumaré, em São Paulo, amanheceu diferente. Moro bem perto desta avenida.
Naquela manhã, tinha de passar por lá rumo a um curso de estêncil no Jardim Miriam Arte Clube – JAMAC. Estava apressada, atrasada, preocupada com o trajeto que conhecia pouco. GPS ligado, celular com mapa acionado, toda parafernália tecnológica dentro de meu carro. Dirijo pela avenida com olhar de motorista que olha sem enxergar o mundo à sua volta. Desconectada do entorno, conectada ao mundo virtual.
De repente começo a notar algumas coisas balançando nas árvores que ficam no jardim central da avenida. Barquinhos de papel pendurados às árvores por um fio. Vejo um, vejo outro e sou tomada de um encantamento que me desloca e me faz voltar a estar na rua, na cidade, e agradeço a quem colocou os barquinhos navegando pela avenida. Pura poesia.
Quero parar o carro e ver com mais cuidado. Não posso. Tenho que ir para o Jardim Miriam. Pego o celular e peço ajuda. Preciso de ajuda, não posso perder essa ação, esse movimento que me comove. Meu marido desce para ver, tirar fotos e depois me contar sobre o que viu e sentiu.
Chego ao JAMAC, uma associação sem fins lucrativos de artistas e moradores do Jardim Mirian, fundada, em 2004, pela artista plástica Mônica Nador. Ela é autora do projeto ‘Paredes Pinturas’ (2009). Este projeto aconteceu em uma comunidade de Santo André. Mônica e seu grupo trabalharam com esta comunidade dando vida às paredes de suas casas.
No JAMAC, todos os cursos (estêncil, cinema digital, estamparia, café filosófico) são gratuitos e abertos a todos, principalmente à população do Jardim Miriam, onde Mônica Nador trabalha e vive. Seu trabalho de pintura em estêncil quer transformar lugares e despertar o sentimento pertencimento. Ela disse:“Parto do princípio de que em maior ou menor grau para cada pessoa, a beleza pura e simples é um dado indispensável para a sua saúde mental, tendo como exemplo, principalmente, a minha própria experiência. Tenho ainda a convicção de que a nossa saúde mental é um item absolutamente decisivo na opção pela sobrevivência do planeta. Assim, apostando muito mais na vocação curativa/balsâmica/didática da arte que em qualquer outra que ela possa ter, minha intenção é fazer a dimensão do belo acessível ao maior número de pessoas possível.”
Volto para casa no meio da tarde de sábado, no domingo tem mais curso. Meu marido me conta sobre os barquinhos. Cada um deles tem um carimbo escrito ‘Desejos Urbanos’ e, junto aos carimbos diferentes, pessoas escreveram seus desejos para a cidade e penduraram nas árvores. Cada pessoa, que passava pelos barcos, lia os diferentes desejos.
Eu não tinha um barquinho pendurado em uma árvore da Avenida Sumaré, mas tenho meu desejo urbano. Desejo que pessoas empreendedoras criativas, como Mônica Nador, sejam ouvidas, vistas e reconhecidas porque elas fazem um trabalho transformador para melhorar nosso mundo.


Ana Carmen Nogueira é mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Graduação em Artes Plásticas. Especialista em Educação Especial com aprofundamento na área de deficiência visual e Arteterapia. Coordenadora do grupo de mulheres caiçaras “Saíras do Bonete” em Ubatuba, São Paulo. Desenvolve pesquisa de pintura encáustica no Ana Carmen Nogueira Ateliê de Artes.

terça-feira, 9 de abril de 2013

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Livro de Desenho - Memórias Guardadas


Trabalho elaborado em caderno de cultura semanal de jornal diário da cidade de São Paulo. Encáustica sobre papel, desenho, pintura e bordado.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Casa do Alcindo

Vídeo de fotos da visita ao ateliê de Alcindo Moreira Filho em São Paulo com o Grupo de Mediação Cultural: contaminações e provocações estéticas.

O que pode a arte?

http://empreendedorismorosa.com.br/o-que-pode-a-arte/
Postado por Empreendedorismo Rosa em: 30/03/2013 às 9:00 
 
Assisti, essa semana, o documentário de Werner Herzog – “A caverna dos sonhos esquecidos” (2010). A Caverna Chauvet fica no sul da França e é um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo, descoberto em 1994. Este sítio é fechado ao público e para filmar seu interior, Herzog obteve autorização do governo francês. A caverna ficou oculta durante milhares de anos em função de um deslizamento, o que fez com que o interior fosse preservado até os nossos dias. Lá dentro foram descobertas pinturas rupestres de uma riqueza impressionante datadas de 28 a 40 mil anos atrás.
Fonte da imagem: Reprodução
Mas o que há de tão extraordinário nessas pinturas?
O extraordinário é que elas falam de nós para nós. O tempo se dissipa, e escutamos nossos ancestrais. As pinturas estão vivas, frescas e exalam toda atividade humana. Vemos com clareza o traço humano que quer compreender o mundo. Lá encontramos o espírito humano desenvolvendo ideias, sensações e habilidades.
As imagens nos envolvem e nos emocionam. Por meio da arte do século XXI, a filmagem em 3D nos oferece a experiência de caminharmos por entre os corredores escuros da caverna, criou-se um diálogo com os primórdios da raça humana. Estamos em uma cápsula do tempo e ali compreendemos a grandeza do espírito humano. Não sabemos o porquê dessas pinturas nas paredes, mas a compreendemos em toda a sua força.
Essa talvez seja uma das grandezas da arte, proporcionar experiências significativas através dos séculos para aqueles que entram em contato com ela. A arte nos propõe diferentes formas de pensar, nos incentiva à pesquisa e a busca do novo.
O que faziam esses homens dentro da caverna pintando representações de animais que viviam em seu meio? Experimentavam, organizavam e se apropriavam de imagens criando um diálogo entre o mundo interno e o externo. Foi por meio da arte que o homem aprendeu com o outro. O ser humano inovou ao usar ferramentas para representar o seu mundo, explorar as possibilidades do meio e concretizar um objetivo. Cada material utilizado exigiu um aprender a pensar sobre cada uma de suas qualidades.
Ganhamos de herança de nossos antepassados essa capacidade inventiva, de comunicação e de criação que geram novas experiências. É nossa herança sermos seres simbólicos e empreendedores.
O que pode a arte?
Ela pode oferecer possibilidades, caminhos para a descoberta, para invenção. Valorize a sua herança cultural, experimente, invente, pesquise caminhe pelas diferentes formas de linguagem.
Ana Carmen Nogueira é mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Graduação em Artes Plásticas. Especialista em Educação Especial com aprofundamento na área de deficiência visual e Arteterapia. Coordenadora do grupo de mulheres caiçaras “Saíras do Bonete” em Ubatuba, São Paulo. Desenvolve pesquisa de pintura encáustica no Ana Carmen Nogueira Ateliê de Artes.