domingo, 3 de abril de 2016

87 dias de viagem - Segundo dia. Parte 2


Scofield fica há duas horas de distância de Salt Lake City. Saímos da cidade na hora do rush. Avenidas e estradas cheias, mas sem parar. Um sonho. O carro não pula, não balança, não joga a gente de lado. Um tapete liso, sem buracos. Assim a vida não fica tão pesada.
A paisagem da estrada é de tirar o folego, montanhas rochosas nevadas dos dois lados, leste e oeste. As montanhas rochosas do leste são mais altas do que a do oeste. A casa da Silvye fica perto das montanhas do leste. Do meu quarto tenho o prazer de ver um pouco delas.
David resolve que vamos comer alguma coisa no caminho. Eu na minha santa inocência achei que iríamos parar e comer alguma coisa em um dos muitos malls que tem pela estrada.

Paramos em um drive thru, Popeyes Chicken. Começamos a viver o mundo selvagem do oeste americano. Segundo David, esqueça as etiquetas, fique à vontade e curta a natureza. Grandes pedaços de frango empanado são jogados em minha mão. APIMENTADOS. Dou duas mordidas e minha boca arde enquanto a paisagem de fora me deslumbra. Perdi o folego pela comida ou pela paisagem? Paro de comer. Desculpem-me, mas comer no carro é difícil, comer apimentado é impossível. Silvye retira do saco um pote de macarrão com queijo. Desceu melhor. Seguimos a viagem e a paisagem vai ficando mais branca. Vamos subindo a montanha até encontrar o vale onde se encontra a cidade mineira de Scofield.

quinta-feira, 31 de março de 2016

87 dias de viagem - Segundo dia



Dia 31 de março de 2016
Segundo dia de viagem.
Ontem fomos dar uma volta à pé pela rua ao lado. Meu Deus, estamos em uma cidade ou no campo?
Hoje pela manhã demos uma volta de carro para resolver algumas coisas, como o cabo novo para a bateria de meu computador, uma vez que não consigo conectar na tomada local. Foi fácil. Fomos ao tintureiro, ao correio, fizemos um monte de coisas e só parávamos quando o farol ficava vermelho. Incrível, não tem trânsito.
O céu aqui é bem grande, não existe prédios altos, os únicos são os hospitais. Estamos rodeados de montanhas e elas estão nevadas. Lindas. O tempo está meio cinza, mas existe uma promessa no ar de primavera próxima. Cada galho de árvore está brotando uma flor ou folhagem.
A paisagem é assim como a da foto, com tempo de dar passagem à família de patos. Se você tiver tempo, olhe com cuidado. No final da estrada pode-se ver as montanhas nevadas.
Hoje à noite vamos para a cabana do David no Oeste Selvagem em Scofield voltamos em dois dias.


87 dias de viagem. Primeiro dia






30 de março de 2016
Cheguei nos Estados Unidos via Chicago, meu destino: Salt Lake City
Sai do Brasil dia 29 de março às 22 horas. Vou ficar nos Estados Unidos até o dia 22 de junho. Chego no Brasil dia 23 de junho de 2016.
Motivo da viagem: arte, encontros, arte do encontro, encontros com artes.
Voos me atordoam. Fico com dificuldade de concentração, assisto aos filmes e durmo. Acordo assustada e volto a assistir ao filme. A luz é péssima para a leitura, ilumina a cabeça da pessoa que está ao meu lado. O alívio é ver pela tela que o avião já está quase chegando. Momentos de deslocamentos são chatos, sonho com o teletransporte.
Passo pela imigração, a moça era a mesma que trabalhava no filme com Tom Hanks “O Terminal”, Zoë Saldaña. Tanto que ela não me deixou prosseguir. Fui mandada para a salinha da imigração. Acho que eles pensaram que eu queria imigrar. Saquei meu caderno criativo e comecei a desenhar.
Era muito estresse. Uma viagem longa, atordoante, um outro país, outra língua e eu tentando não me perder. Minha filha sabe como é difícil para mim não me perder.  Desconfiados me levam para a salinha. Para aguentar a pressão, só desenhando rendadozen. No final, foi uma oportunidade para iniciar o caderno da viagem. Fiz um beija-flor como o nome do Bed & Breakfast (BNB) que Silvye irá abrir em Salt Lake City. Passados alguns minutos de espera para uma “conversinha”, um agente da imigração me chama, faz uma série de perguntas. Quer saber se sou casada e onde está meu marido. No Brasil, respondo. Mais uma vez, o Dado resolve tudo. Diz o oficial: “Ok, boa estadia.”
Pego minha mala, passo pela alfândega e vou para o terminal doméstico pegar o avião para Salt Lake City. Chego totalmente zonza, caminho rumo à esteira para retirar a mala e, lá está minha querida amiga me aguardando com sorrisos, abraços e promessas de dias incríveis.



sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Consertam-se cadeiras



Ontem à noite, Bruna, minha sobrinha querida, me enviou uma mensagem com uma imagem. A imagem era de uma cadeira com assento e encosto de palhinha toda rasgada. Estilo Luís Felipe (procurei na internet).  Foi achada no lixo e ela se apaixonou pela cadeira, acreditou que esta devia ser restaurada, reintegrada, que merecia uma chance de uma nova vida.
“Será que o Dado se anima a arrumar essa cadeira para nós? Ele troca a palhinha e nós lixamos e envernizamos. ”
Foi montada uma força tarefa para recuperar a cadeira.
No mundo em que estamos vivendo muitos podem dizer - Vale a pena? Você pode ir em loja de móveis e comprar uma novinha. Deixa ela para lá. Vai dar muito trabalho. Muito esforço, muito tempo. Tempo que podia estar fazendo...? Ah, é muita dedicação. Imagina como deve estar essa cadeira encontrada no lixo. Suja, feia, maltratada.
Vale a pena sim.
Primeiro pela descoberta e o olhar atento que fez tornar visível a cadeira invisível que morria no lixo.
Segundo pela proposta de compartilhar – saberes, conhecimentos, momentos.
Terceiro por dar uma segunda chance a algo e para isso não mediu esforços de recrutar ajuda de outros.
Quarto, quinto, sexto, sétimo pelo prazer do fazer, de se esforçar e superar obstáculos.

Então, queridos amigos, aqui em casa consertamos cadeiras pelo amor do encontro, da amizade e dos sorrisos e acima de tudo pela paixão do fazer, refazer e restaurar.

Ana Carmen Nogueira, Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Graduação em Artes Plásticas. Especialista em Educação Especial com aprofundamento na área de deficiência visual e Arteterapia. Desenvolve pesquisa de pintura encáustica, ministra cursos desta técnica e atua como Arteterapeuta no Ana Carmen Nogueira Ateliê de Artes

terça-feira, 29 de setembro de 2015

V Fórum Paulista de Arteterapia



Data: Dia 3 de outubro de 2015
Horário: 9h00 às 17h30

Palestrantes:
Dr. Ricardo Leme
Artista Plástico Silvio Alvarez

Local:
Colégio Maria Imaculada
Rua Bernardino de Campos,79 - Paraíso - São Paulo-SP

Valores para Inscrição
Modalidade
Valores
Estudante Associado AATESP
R$ 40,00
Estudante Não Associado
R$ 80,00
Profissional Associado AATESP
R$ 80,00
Profissional Não Associado
R$ 160,00

PROGRAMAÇÃO
9:00 às 9:15 - Abertura
9:15 às 10:15 - Reflexão dos Coordenadores de cursos sobre o tema do Fórum
10:15 às 10:30 - Coffe Break
10:30 às 12:30 - Palestra de abertura proferida pelo Dr Ricardo Leme, médico pela Faculdade de Ciências Médicas daSanta Casa de São Paulo, neurocirurgião do Hospital das Clínicas em São Paulo,parceiro no Miami Project to Cure Paralysis, da Universidade de Miami,graduação em medicina Antroposófica, físico pela Usp.

ALMOÇO
12:30 às 13:30

MESAS TEMÁTICAS (com abordagens diversas)
13:30 às 15:30

Mesas
Coordenador
Convidado 1
Convidado 2
AATESP
1. Arteterapia na promoção da Saúde
Fabíola Gaspar
Selma Ciornai
Oneide Regina Depret
Ana Alice Francisquetti e Cassia Rando
2. Arteterapia na preservação da saúde
Sonia Tommasi
Cristina Anauate
Eliana Cecília Ciasca
Tania Freire
3. Arteterapia e a transdisciplinariedade
Patrícia Pinna
Ana Alice Trubbianelli
Ideli Domingues
Zília Nazrian e Paola Vergueiro
4. Arteterapia na educação
Dilaina Santos
Claudia Colagrande
Vera Ferretti
Lídia Lacava
5. Arteterapia e o atelier terapêutico
M. Betânia Noegren
Sidney Francisco
Maria Anagela Gaspari
Ana Carmen Nogueira e Paola Vergueiro
6. Arteterapia pesquisa e revista eletrônica
Cristina Allessandrini
Maíra Bonafé Sei
Irene Arcuri
Regina Chiesa


INTERVALO
15:30 às 16:00

ENCERRAMENTO (com o artista plástico Silvio Alvarez)
16:00 às 17:30 

sábado, 12 de setembro de 2015

Tardes de Arteterapia

11
O Espaço Viver com Arte está abrindo um novo grupo de Arteterapia para idosos. Tragam seus familiares idosos para passar tardes fazendo, criando e se expressando por meio da arte.
Maiores informações com
Ana Carmen Nogueira
Arteterapeuta
200/0611
AATESP


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Sobre irmãs

Arte: Ana Carmen Nogueira 2006

Ontem, minha amiga me contou que não falava com uma de suas irmãs desde 2014.
Por um motivo bobo, elas deixaram de se falar.
Bem, bobo para nós que estamos de fora, mas que fez crescer um muro de intolerância entre elas.
Não deixo de pensar nisso desde ontem.
Lembrei de minha irmã.
Não nos falamos desde vinte e sete de julho de 2012.
3 anos.
Porque?
Não sei. Quebrou a conexão? Não nos gostamos? Eu ou ela dissemos coisas imperdoáveis?
Não sei, assim como minha amiga não sabe, mas sofre.
Irmãs, para o bem e para o mal tem conexões inquebráveis. O tempo não rompe. As mágoas não fazem com que as trilhas do passado se apaguem.
Vivemos juntas nossa infância, adolescência e a fase adulta. Nossas vidas estão conectadas como uma rede.
Algumas irmãs trocam segredos e são amigas, outras não são confidentes, não são amigas, não são...nada
Mas, são irmãs.
Fico aqui na distância de espaço e tempo lembrando de minha irmã.
Tenho imagens guardadas de como a achava linda e inteligente.
Que orgulho que tinha de ter uma irmã.
Não sei como ela me olhava e nem o que sentia.
Hoje isso não importa mais.
Há uns anos atrás fiz uma pintura a partir de um retrato de nossa infância querendo resgatar minha irmã perdida.
Dei de presente para minha mãe.
Quando mamãe desmontou o apartamento e veio morar comigo, minha irmã levou a pintura com ela.
Por três anos não nos falamos e nem sabemos uma da outra. No entanto, tenho certeza que por mais que ela tenha se distanciado de mim, eu estou lá, na sala ou no quarto sorrindo para ela ao lado dela.
E assim, minha querida amiga, pensando em você e na sua irmã, creio que uma está ao lado e em frente a outra. A distância não existe e o tempo congelou.
Restaram vocês...


Ana Carmen Nogueira, Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie. Graduação em Artes Plásticas. Especialista em Educação Especial com aprofundamento na área de deficiência visual e Arteterapia. Desenvolve pesquisa de pintura encáustica, ministra cursos desta técnica e atua como Arteterapeuta no Ana Carmen Nogueira Ateliê de Artes