quinta-feira, 14 de abril de 2016

87 dias de viagem. 17 dias. Building Silvye's Kitchem 02




Dia 14 de abril
Há 17 dias saí de São Paulo para me aventurar aqui no oeste americano. Tenho vivido muitas coisas e o tempo passa rápido, mal dá para contar tudo.
Tenho me esforçado bastante para entender e falar inglês. A mãe de Anika e Silvye me ajudaram a encontrar um curso de inglês no Horizonte Instruction and Traininig Center. Uma escola multicultural com diversos programas para atender a diferentes populações entre eles o programa de Inglês como segunda língua voltado especialmente para imigrantes e refugiados. Não sou imigrante e nem refugiada, mas eles estão abertos a todos que queiram desenvolver suas habilidades na língua inglesa. Para frequentar a escola é preciso apresentar um comprovante de residência e fazer provas de leitura e compreensão de inglês assim descobrem qual o nível que o candidato possui. As provas acontecem toda quarta-feira e quinta-feira, são dois dias de prova, das 11 à 13 horas. O curso tem início na segunda-feira seguinte. Todo o curso tem duração máxima de 6 semanas e custa US$ 35,00 total.
Segunda-feira inicio meu curso e vou saber qual o meu nível.
Enquanto isso vou acompanhando de perto a construção da cozinha de Silvye. Agora já está coberta e preparada para receber o shingle. Foi colocada uma manta por cima da madeira e depois um papel por cima de tudo e aí que será colocado shingle. Não entendi essa história do papel. Hoje está chovendo e ameaça cair uma neve, e lá dentro está seco. Quando saí pela manhã para fazer meu último teste na Horizonte ainda havia a parede que separa a cozinha atual da nova. Voltei para casa 15 horas e já não havia mais parede separando apenas um grosso plástico.

Nas próximas semanas eles começam a fazer a parte elétrica e hidráulica. O piso, Silvye e David irão colocar. Eu, vou continuar a fotografar.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

87 dias de viagem. Décimo segundo dia. Jordanelle Resevoir

Dia 9 de abril. Décimo segundo dia de viagem. Jordanelle Reservoir


Jordanelle Reservoir é um reservatório em Wasatch County, Utah, Estados Unidos, ao norte de Heber City. A barragem de Jordanelle foi construída em 1995.

Durante a primavera e verão é cenário para esportes aquáticos e pesca. Durante o inverno o lago fica totalmente congelado e para pescar é preciso fazer um buraco no gelo.


Domingo, dia 9 fomos pescar em Jordanelle. Para chegar lá pegamos a mesma estrada que vai para Park City. Demoramos uns 30 minutos para chegar ao local de nossa aventura de pesca e pic-nic. David, Silvye, eu e Charlie, o cão.
Mochilas nas costas, varas de pescar, chapéu na cabeça, casaco quente para enfrentar o frio, montanhas nevadas atrás de nós. Algumas com pistas de esqui. Cenário lindo. Vamos caminhando em direção ao lago. Tenho uma sensação de déjà vú. A água está baixa, muito baixa, me lembrou a represa de Paraibuna, SP Brasil. Quando passamos pela rodovia dos Tamoios, em época de seca, podemos ver os pescadores lá embaixo, troncos de árvores secas aparentes. Uma sensação de tristeza pela falta da pujança da água.
Devo confessar aqui que minha experiência em pesca é zero, ou quase, se é que pode contar a tentativa de pesca em Scofield.

David sai na frente à procura de um local para pescar. Lá embaixo, vejam que é bem lá embaixo. Se prestarem atenção, na margem ao lado do tronco seco tem um grupo de pescadores, David e Charlie descem, Silvye me explica o que eu devo fazer para uma descida segura enquanto tiro fotos. Olho para baixo e tenho a sensação de que isso não vai funcionar, mas guardo para mim, tudo em nome da aventura. Guardo minha máquina na sacola, e início a descida, pé ante pé, testando o solo cheio de pedras arenosas e...claro, levo um tombo e escorrego morro abaixo.
Tá certo, não foi tão morro abaixo, mas óbvio que caí. Quando consigo chegar lá embaixo, David já havia testado a água e sei lá como já sabia que não havia peixe por lá. Voltamos a subir para chegar no outro lado do lago, onde segundo ele, tinha peixe. Para chegar ao platô fui resgatada pelo David. Descemos para o outro lado. Quando estávamos descendo passa por nós um coelho correndo à toda. Charlie foi atrás dele, na esperança de pegá-lo.
Boa tentativa, Charlie!
David saiu para achar os peixes e eu e Silvye nos sentamos para nosso pic-nic, tomar vinho, dar risada e ascender a fogueira. Charlie voltou cansado da corrida atrás do coelho. Algum tempo depois David volta dizendo que não havia peixe e que deveríamos tentar novamente o outro lado do lago.
Tá bom...vai que nós já vamos.

O tempo começa a mudar, começa a chover fininho e desmontamos nosso acampamento e vamos nos encontrar com David. Venta frio, chove. Silvye pega minha máquina e resolve tirar a minha foto de pescadora. Fake total.

Vamos caminhando e olhando para baixo, no lago para ver se encontramos David. Nada. O tempo vai piorando e resolvemos ir para o carro. Quando estamos chegando no carro David está chegando pela estrada, desanimado por não ter pescado nada. Guardamos nossas coisas no porta-malas, e Charlie se acomoda para iniciarmos a viagem rumo a Park City comer alguma coisa. David procura sua carteira e celular. Já estou sentada no banco de trás, Charlie já está ressonando e David surta. No cel, no wallet. Ele freakou, do verbo Freak(ar). Perdeu a carteira e o celular em algum lugar na margem do lago. Ele e Silvye voltam para a represa. Charlie e eu ficamos no carro. Charlie dorme e eu desenho.
Algum tempo depois, escuto um telefone tocar no porta-malas do carro. Desço do carro para abrir o porta-malas e achar o celular que toca insistentemente. Do lado direito do porta-malas tem um buraco e lá repousava tranquilamente o celular e a carteira. Atendo o telefone: Hi David, I found the wallet and the cell phone. Como ninguém pensou em fazer a ligação antes?
Risadas mil, fomos direto para Park City para o No Name Saloon.


Tomei uma sopa no pão deliciosa, uma taça de vinho e me encontrei com Bufalo Bill.
Como agradecer aos amigos momentos tão marcantes?





terça-feira, 12 de abril de 2016

87 dias de viagem. Décimo e Décimo primeiro dia. Plantando cebolas




Décimo dia ao Décimo primeiro dia.
Dia 8 de abril, fomos às compras, porque ninguém é de ferro. Não se preocupem, me segurei bastante, tenho muitos dias pela frente. O duro é que é muito mais barato do que no Brasil, mas me mantive contida.
Chegou o sábado, meu décimo primeiro dia em terras distantes. Pela manhã tomamos sol no jardim, e David queria saber qual a cor que deveríamos colocar no telhado. Penso, como assim? Acho que não entendi. No Brasil, os telhados geralmente têm a cor avermelhada, embora agora tenham alguns com telhas brancas e algumas verdes. Escolhemos o modelo das telhas, mas não me lembro, me desculpem os arquitetos, de muita preocupação quanto ao telhado, a não ser pela festa da cumeeira. Silvye também não entendeu e começamos a prestar atenção às casas vizinhas, não são muitas que conseguimos ver do jardim, talvez duas ou três. Eles usam um material que se chama shingle, que é feito de fibra de vidro imprensada no asfalto com granulados de cerâmica. Existem de diferentes cores, do ocre claro passando pelo verde musgo até o preto. Diferentes formatos também. Segundo um site que ensina como escolher seu roof shingle, é muito importante saber escolher a cor do seu telhado, pois isso vai dar personalidade à sua casa, deve ser considerado o clima, as cores claras deixam a casa mais fresca e menores e, a escura mais quente e maiores. Saímos para escolher a cor do shingle e optamos pelo verde musgo que resiste ao vento forte e grandes tempestades de neve pela tecnologia da colocação do material.
Escolhido o telhado, voltamos para casa pois era hora de plantar cebola. De minha janela vejo a horta, o orgulho da casa. Em outubro, haviam plantado alho. Esses meninos ficaram hibernando todo o inverno embaixo da terra, e quando cheguei eles estavam apontando para fora suas hastes verdes. Na coluna ao lado havia uma penugem verde que prometida crescer. Hoje o alho tem as hastes lindamente para fora e nas colunas acima já podemos ver as folhas das hortaliças.
Eu tenho uma intimidade com plantação assim como pescar ou essas coisas da vida selvagem. Todos os dias tenho um desafio aqui no Wild West. Cheguei na horta pisando onde não podia e tentando entender como aquilo poderia dar certo.
Não plantei cebolas, Silvye plantou.
Plantei cenoura.

Espero ter tempo de comê-las.

sábado, 9 de abril de 2016

87 dias de viagem. Nono dia. Big Cottonwood Canyon Trial


Dia 7 de abril
Nono dia de viagem
Toda quinta-feira Silvye sai de casa cedo e volta no final da tarde. É o dia em que ela fica das 8 às 17 horas cuidando de Anika.
Daniel, seu filho está na semana da primavera, por isso não tem aulas. Como todo adolescente, dorme bastante, mas tem várias obrigações a serem cumpridas, como limpar o jardim e ajudar o David em alguma atividade da reforma da casa.
David além de cuidar da reforma da casa, também faz trabalhos de construção pela cidade. Essa semana ganhou a concorrência para fazer um playground na parte oeste da cidade.
Tenho o dia para mim. Resolvo fazer uma caminhada com Charlie, o cão. David se anima todo com a ideia e propõe que eu conheça a trilha Big Contowood Canyon Trial, que ele construiu. Ele me diz que posso caminhar tranquila por qualquer lugar da cidade: “Aqui tudo é seguro, fique tranquila”. Com a maior das gentilezas e boa vontade me leva para conhecer a trilha de carro para ter certeza de que não vou me perder.
Charlie e eu vamos então caminhar. Charlie é bom de caminhada, não puxa a guia e está sempre andando no mesmo compasso comigo. Ótimo companheiro.

Duas horas de caminhada deslumbrante. A montanha vai se agigantando conforme caminhamos. Tudo muito limpo, arrumado e a natureza mostrando todo seu vigor.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

87 dias de viagem. Construção da nova cozinha



Dia 5 e 6 de abril. Sétimo e oitavo dias
Dias de acompanhar a construção da nova cozinha de Silvye.
Vai ser uma grande cozinha onde ela possa receber os amigos e hóspedes de seu B&B Beija-Flor. Silvye adora receber, cozinhar, beber e dar muitas risadas. Isso faz parte de sua vida, são as coisas que são importantes para ela. Nesses momentos de confraternização é que notamos como isso a faz feliz e como ela se doa. Os jantares são deliciosos, sempre feitos com muito carinho e muita risada. Risadas, acontecem em doses enormes durante todo o seu dia e é extremamente contagiosa. As risadas não são baixas e muito menos discretas. Elas arrombam os corações mais duros, são invasivas e ressonantes.
Silvye faz. Faz coisas o dia inteiro sem parar em uma velocidade alucinante, assim como as palavras. Ela me contou que a pediatra de Anika disse que para uma criança de um ano ela está com um vocabulário enorme. Claro, com Silvye conversando com ela o dia todo, ela já deve estar falando, inglês, português e espanhol.
Silvye ama. Ama seu filho Daniel, ama seu companheiro David, ama os amigos e sua família. É com esse amor que ela vai construindo sua vida, juntando pedaços perdidos e recuperados, guardando outros em um lugar seguro para um novo reencontro.
A cozinha nova será um bom lugar para estar.
Agora, vou falar da construção da cozinha. Reforma em casa é sempre uma confusão, uma bagunça e muita sujeira. Pois bem, aqui não é assim. A maior sujeira vem do pó da madeira, e só. Em dois dias quatro homens sendo que dois são os chefes e os outros ajudantes, fizeram o piso e as paredes da nova cozinha. Foi muito interessante acompanhar essa construção. Algumas vezes da janela da cozinha atual, outras vezes caminhando pelo jardim. Na próxima semana outra equipe irá fazer o telhado e derrubar a parede da cozinha atual para que fique uma coisa só. Estou aguardando para ver a construção, para ver os sorrisos de satisfação e a alegria de Silvye e David do fazer juntos.
É bom estar aqui.




quarta-feira, 6 de abril de 2016

87 dias de viagem. Sexto dia. Primavera explodindo


Sexto dia. Segunda feira dia 4 de abril.
Dia de baby-sitter. Fui com Silvye conhecer a bebê que ela cuida. Anika.
Passamos antes por uma loja de material de artes. Perdi o folego, muita, mas muitas coisas para todos os gostos e necessidades. Comprei algumas coisinhas para começar. Pensei em iniciar trabalhos com aquarela e rendadozen. Projetos rodando rapidamente em minha cabeça.
Fomos para casa de Anika e sua mãe nos aguardava. Lindas, as duas. Anika ao ver Silvye abre maior sorriso. Ela tem um ano de idade. Já fala algumas palavras e já aprendeu mais uma: Naca, meu apelido e é assim que Silvye me apresenta para todos.
Depois de Anika se alimentar fomos passear no Liberty Park. Lá tem um lindo lago cheio de patos selvagens. Encontramos na frente do lago um homem de chapéu de palha tocando bandolim. Fiquei com vontade de tirar uma foto, mas achei um pouco invasivo. Ele tocava para se misturar aos sons do parque e as cores da primavera. 
Nosso caminho é cheio de explosões de flores por todos os lados. 
A natureza nos mostra que chegou a primavera.

Encantem-se.

87 dias de viagem. Quinto dia. Domingo em Salt Lake City





Dia 3 de abril
Dia de apurar os sentidos
Dia de preguiça, 
De olhar as montanhas, 
De sentir o sol, 
De comer escondidinho de frango e, 
conhecer Jude.
Jude gostou do escondidinho e comeu tudo.