sábado, 23 de junho de 2018
quarta-feira, 20 de junho de 2018
quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018
Chapada dos Guimarães, 8 dias sem carnaval. Caverna de Pobe Jari
Caverna de Pobe Jari
Pobe Jari foi nossa primeira caverna, o nome indígena significa
“caverna das duas bocas”. Pedro, nosso guia nos explica que ela tem um formato
de Y invertido e entramos por uma das alças. É muito emocionante entrar dentro
desse espaço único e especial. Pelo chão corre água, acendemos as luzes de
nossos celulares para saber por onde andamos. A parede da caverna parece ser meio
rosa. O salão de entrada possui uns 3 metros de altura. Beleza de um palácio feito
pela natureza. Volto meu olhar para a imensa boca de entrada e vejo o belo
quadro da natureza exuberante de diferentes verdes se contrapondo ao escuro da
caverna. Quando ilumino a parede vejo um inseto caminhar e lembro de minha
prima Flávia Pellegatti Franco que trabalha estudando bichinhos de cavernas. Penso
que seria bom estar com ela naquele lugar, assim ela iria me ajudar o olhar
aquela beleza que entra dentro da mim. Mais para o interior da caverna o teto
parece brilhar quando focamos as luzes, é o ouro
do tolo ou pirita.
Pedro propõe que desliguemos as luzes e por alguns instantes
ficamos em total silêncio no escuro compacto. Foi dessa maneira que fomos
contaminados pelo centro geodésico, no ponto equidistante entre o Atlântico e o
Pacífico, no coração da América do Sul, no interior mais profundo da caverna
Pobe Jari. Nos surpreendemos, não por ser
exótico, mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto, quando terá sido o
óbvio (Um índio – Caetano Veloso)
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
Chapada dos Guimarães, 8 dias sem carnaval. Caminho para as carvernas
Dia 10 de fevereiro foi dia de aventura. Dia de visitar o circuito das cavernas.
Minha irmã e Sonia não irão, já fizeram esse passeio. Vou me
encontrar com o guia na frente da igreja de Santana de 1779, uma preciosidade,
construída de taipa de pilão e telhado em telha de barro canal. Essa igreja
está no centro da praça é rebocada e caiada, suas janelas e portas são azuis.
Na porta principal passamos por um lindo portal de madeira entalhada à mão.
Dentro, a capela mor é revestida de azulejos do chão até altura de 80 cm. Esses
azulejos são do período pombalino, pintados à mão e foram fabricados em Lisboa
no século XVIII.
São 9:00 horas da manhã. O dia está nublado, o que
facilitará nossa caminhada pelo cerrado. Aguardo a chegada do guia Pedro
Ortega. Moço bonito, formado em sociologia, terminando o curso de psicologia e
técnico em turismo. Seu sonho é juntar essas três ciências e fazer com que o
turista que venha visitar a Chapada tenha uma experiência além do simples visitar
o local. Ele quer que a pessoa se reconecte à sua essência e saia desta
experiência um ser melhor. Juntam-se a nós duas paulistas Cris e Ruth e depois
o jovem casal Gabriel e Larissa, ambos do interior do Estado de São Paulo.
Gabriel de Caçapava e Larissa de Jundiaí.
Todos reunidos iniciamos nossa aventura. Pego carona no
carro de Ruth e Cris, Pedro vai no carro de Gabriel e Larissa. Do centro até as
cavernas devemos percorrer uns 30 km em direção a Campo Verde até a Fazenda
Água Fria onde ficam as cavernas. Um bom trajeto é de estrada de asfalto,
depois pegamos uma estrada de terra que está bem conservada, embora tenha
alguns pontos com areião. Em parte do caminho, em ambos os lados o cerrado foi
substituído por uma enorme plantação de soja. Chegamos na fazenda 10:00 horas
da manhã. Para fazer esse passeio, é possível escolher se quer chegar até as
cavernas de trator, ida e volta, ou só ida com volta a pé percorrendo a trilha
dentro do cerrado, ou ida e volta à pé. Nosso grupo optou por fazer ida de
trator e volta à pé. O trator puxa uma carroceria onde foram colocados bancos
como um ônibus, é todo aberto.
Assim que chegamos na fazenda, recebemos caneleiras para nos
proteger de picadas de cobra. Passamos pelo restaurante para confirmar que na
volta iríamos almoçar e corremos para nosso transporte. No meio do caminho o
trator pára em um lugar onde é possível avistar todo o vale até a cidade de
Cuiabá. Fotos, fotos e mais fotos. Voltamos para o trator logo ele nos deixa na
trilha para encontrar a nossa primeira caverna, Pobe Jari.
No caminho para a caverna Pedro vai nos contando das
riquezas cerrado. É no cerrado que encontramos as nascentes de 8 das 12 regiões hidrográficas e responde
por um terço da biodiversidade do Brasil. O clima é quente e há períodos
de chuva e de seca, com incêndios espontâneos esporádicos. As árvores têm caules retorcidos e
raízes longas, que permitem a absorção da água. Algumas árvores do
cerrado possuem o caule em volto de cascas grossa que parece uma cortiça. No caminho
para as cavernas pode acontecer de um mosquitinho entrar dentro dos olhos, ele
adora fazer isso e é bem desagradável. O mosquitinho é conhecido como “lambezóio”. Para evitar que isso ocorra,
Pedro nos deu a dica de pegar uma folha de Negramina e deixar perto dos olhos,
ela funciona como um repelente do lambezóio.
Como eu estava de chapéu coloquei em cada lado das minhas têmporas e deu
certo.
Vamos aos valores por pessoa para esse passeio: o
guia cada um paga R$ 50,00. Entrada na Fazenda R$ 65,00. Trator só ida R$
20,00. Almoço, R$30,00
Não existe a possibilidade de fazer o circuito das cavernas sem um guia. Nosso guia foi muito bacana e o grupo todo interagiu harmoniosamente.
Não existe a possibilidade de fazer o circuito das cavernas sem um guia. Nosso guia foi muito bacana e o grupo todo interagiu harmoniosamente.
Contato de Pedro Ortega: +55 65 9978-0015
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018
Chapada dos Guimarães, 8 dias sem carnaval. Dia 09 Cachoeira Véu de Noiva
Dia 9 de fevereiro fomos visitar a cachoeira do Véu da Noiva que fica dentro do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. O acesso é muito bom e bem sinalizado. A entrada é gratuita e não precisa contratar um guia. Para se chegar até o mirante é possível deixar o carro no estacionamento e fazer uma caminhada em uma trilha de 550 metros. Pessoas idosas ou com algum tipo de dificuldade podem descer de carro até o pátio do restaurante. O mirante fica bem perto do restaurante.
A cachoeira é formada pelo rio Coxipó e tem 86 metros de queda livre. Essas as águas irão desembocar no rio Cuiabá que irá alimentar o Pantanal.
A exuberância do local é de tirar o folego, além da cachoeira somos brindados com a visão fantástica das escarpas dos morros formados de arenitos onde podemos perceber a diferentes camadas de vermelhos, amarelos, laranjas, ocres e marrons. O vale que se abre possui uma vegetação rica do que parece ser uma transição da mata atlântica com a floresta amazônica, e seu verde escuro contrasta com as cores do cerrado do platô.
Chegamos ao mirante perto do horário do almoço, o dia estava nublado, portanto, o clima estava ameno. Ao se observar o lugar tem-se a sensação de estar em um ambiente pré-histórico, a qualquer momento pode aparecer um pterodátilo dando uma rasante no vale. No seu lugar, hoje voam araras, maritacas e andorinhões, principalmente no amanhecer e final do dia.
Depois de nos deliciarmos com a beleza local fomos almoçar no restaurante. Minha irmã, Carolina, teve a excelente ideia de levar um vinho rose português para tomarmos durante o almoço. Pediu permissão ao garçom que, com um grande sorriso, disse que era permitido, mas que infelizmente não tinha taças para o vinho. Comemos um excelente peixe na telha, apreciando a paisagem à nossa volta e brindamos à boa comida, bom vinho, bela paisagem e ótimas companhias.
domingo, 11 de fevereiro de 2018
Chapada dos Guimarães, 8 dias sem carnaval. Dia 07 de feveiro
No dia 7 de fevereiro, saí de São Paulo sem saber o que
havia acontecido com o verão e cheguei em Cuiabá abafada, quente, céu carregado
de nuvens.
Entramos pela cidade por Várzea Grande, onde fica o
aeroporto e percorremos uma grande avenida em direção à Cuiabá onde podemos
observar ao longo dela o que um dia poderia ter sido um metrô de superfície. Obra
prevista para acabar para a Copa de 2014, é agora apenas a lembrança triste de
nossa incompetência e descaso com o bem comum.
Desde dezembro de 2014 minha irmã, Carolina, resolveu dar
uma virada em sua vida. Deixou a cidade de São Paulo com suas atrações e
terrores para trás e mudou-se com Sonia para a Chapada dos Guimarães.
E essa é a primeira vez que venho visitar a nova morada das
duas.
Chapada dos Guimarães fica à 64 km. Na estrada a Chapada vai
crescendo aos meus olhos até o momento que não aguento mais e, saí sem que eu
perceba um grande, UAU!
As duas moram em um bairro que fica à 3 km antes de chegar ao
centro da cidade. Terra vermelha no lugar do asfalto, verde por todo lado. Um grande jardim na frente e no portal duas araras de
madeira. A casa é pequena e verde. Flora e Gil, dois Dash Hound, nos aguardam no corredor
lateral, abrindo a cortina com o focinho. Eles não podem ficar soltos no
jardim, porque são tão maravilhosos
que alguém pode roubar. Assim que são soltos eles vêm me dar boas-vindas.
Dentro da casa aconchego. No meu quarto, toalhas dobradas em
cima da cama, uma barra de chocolate e sais para escalda pés do Atelier Casa 70,
que pertence à Carolina e Sonia.
Me senti bem-recebida.
Obrigada pela acolhida.
sábado, 20 de janeiro de 2018
segunda-feira, 25 de dezembro de 2017
Para a menina que vai chegar
Para a menina que vai
chegar
Pintei uma aquarela para menina que vai chegar.
Para a menina que vai chegar imaginei oferecer um pouco de
esperança.
Para essa menina um mundo irá se abrir.
Uma família inteira, ou duas ou três, a cidade, o mundo, o
planeta.
Para a menina que vai chegar dei a Lua.
Ela chega num momento que estamos mais tristes, mais
sensíveis, mais distantes, mais desconectados.
Na verdade, não sou eu a oferecer a esperança para a menina
que vai chegar.
A menina que vai chegar traz consigo a esperança.
Seja bem-vinda menina.
segunda-feira, 2 de outubro de 2017
Terceiro Encontro SESC 24 de maio. Pintura Encástica
Muito trabalho.
Muitas descobertas.
Papéis de seda coloridos misturados com a cera.
Recortes de aquarelas.
Entrada de um museu de Barcelona
Folhas secas da Praia Grande do Bonete
Guardanapos com pássaros
Areias coloridas
Um saco de chá e outro de tabaco
Pedaço de jornal
Um sorriso no rosto
Um brilho no olhar
Mil ideias na cabeça
E muita criação.
sábado, 23 de setembro de 2017
Segundo Encontro SESC 24 de maio. Pintura Encáustica
A natureza orgânica e flexível da encáustica (cera de abelha + resina + pigmento) proporciona efeitos de profundidades que outros materiais não
conseguem. Com a encáustica podemos fazer cortes tão finos como um fio de
cobre ou cheio de detalhes. No nosso encontro do dia 21 de setembro, apresentei a técnica de incisão e corte com diferentes
ferramentas de metal para conseguir linhas finas e cortes espessos. Removemos camadas de cera para conseguir
profundidade, oferecendo efeitos que nenhuma outra técnica de pintura consegue. Com o stencil adicionamos textura ao trabalho. Foram horas muito ricas em descobrimento e criatividade. Vejam um pouco do que aconteceu no vídeo abaixo.
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
Primeiro encontro SESC 24 de maio. Pintura Encáustica
![]() |
| Mosaico com os trabalhos dos alunos do dia 14/09/2017 |
Dia 14 de setembro de 2017, foi o primeiro encontro do curso de Introdução à pintura encáustica.
Serão 4 encontros de 3 horas de duração cada. O curso começa toda as quintas-feiras às 14 horas e termina às 17 horas até o dia 05 de outubro.
Cheguei às 12:30 horas, para preparar a sala, ligar os equipamentos e ligar o pote de encáustica básica. Sempre demora um pouco para chegar ao ponto certo.
O SESC 24 de maio está lindo, os ateliês muito bem montados, boa iluminação e móveis pensados para o trabalho de arte para grupos.
Os alunos foram chegando curiosos, querendo entender o que era encáustica, como trabalhar e mais do que tudo, ansiosos para começar a criar com essa técnica milenar.
Trabalhamos sem parar durante 3 horas seguidas.
Creio que nos divertimos. Eu me diverti.
Espero que tenha aberto uma fresta para essa técnica.
Minha intenção é criar momentos, num ambiente seguro, em que todos possam experimentar, pesquisar, descobrir com liberdade e fluidez.
Como dizia Ferreira Gullar: "A arte existe, porque a vida não basta".
domingo, 10 de setembro de 2017
Introdução à Pintura Encáustica no SESC 24 de maio
Introdução à Encáustica - 4 módulos
Encáustica 1: Introdução à técnica, breve histórico, preocupações de segurança, o uso da pistola de ar quente como ferramentas de fusão, mistura de cores, camadas básicas, criando superfícies lisas / textura.
Encáustica 2: Corte incisão e estêncil.
Encáustica 3: Papéis de seda papéis leves papéis pesados, tecidos e fibras.
Encáustica 4: Transferência de imagens, fotocópias.
Com Ana Carmen Nogueira: Artista, Educadora, Arteterapeuta. Graduação Educação Artística - FAAP. Mestre em Educação, Arte e História da Cultura - Universidade Presbiteriana Mackenzie. Oferece curso de pintura encáustica no Ana Carmen Ateliê de Artes
Informações e inscrições:
https://www.sescsp.org.br/aulas/130926_INTRODUCAO+A+PINTURA+ENCAUSTICA
sábado, 9 de setembro de 2017
Introdução à Pintura Encáustica - SESC 24 de maio
Encáustica vem do grego “enkaustikos” que significa esquentar, queimar.
A Encáustica tem como matéria prima básica a cera natural de abelha e resina
damar (seiva de árvore cristalizada), acrescida de pigmentos. Essa mistura
possui uma ótima cobertura, densa e cremosa. Durante todo o seu processo
utiliza-se calor, desde a fusão da cera com a resina até a fusão das diversas
camadas. A mistura pode ser usada sozinha pela sua qualidade de transparência
ou pode der usada com a adição de pigmento. Essa mistura derretida é aplicada
com pincel em um suporte resistente ao calor, como madeira ou MDF.
Ana Carmen Nogueira é artista, educadora, arteterapeuta. Possui graduação em Educação Artística - FAAP. Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Oferece regularmente curso de pintura encáustica no Ana Carmen Ateliê de Artes.
Informações e inscrições:
https://www.sescsp.org.br/aulas/130926_INTRODUCAO+A+PINTURA+ENCAUSTICA
quarta-feira, 6 de setembro de 2017
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
Lara
Muitas das amigas de minha filha fazem parte de sua vida desde que eram muito pequenas.
Juntas cresceram, sonharam, sorriram, choraram e se apoiaram .
Cada uma seguiu caminhos diferentes, mas quando se encontram se completam.
Foi bonito ver as meninas se tornarem mulheres.
Fortes, inteligentes e donas de seus próprios caminhos.
Olho para elas e sinto orgulho do que se tornaram.
Agora, está chegando uma nova geração.
Já temos a alegre e dançante Suki.
Em breve chegará Lara.
Bem-vinda Lara.
Te recebemos de braços abertos com muito amor.
aquarela "Lara" ACNogueira, 2017
domingo, 3 de setembro de 2017
quinta-feira, 10 de agosto de 2017
terça-feira, 25 de abril de 2017
Pássaros
![]() |
| Angela "Pássaros" |
Toda terça-feira, me encontro com Angela.
Hoje, como em todas as terças de manhãs ensolaradas nos sentamos no jardim
da casa onde mora.
Angela adora observar as
plantas, sentir o vento batendo e escutar o canto dos pássaros.
Semana retrasada iniciamos uma aquarela, mas ela não ficou muito
satisfeita com o resultado. Em dias assim, volto para casa pensando em como
reverter a insatisfação pela sua produção. Na semana seguinte, levei uma série
de ilustrações de flores, plantas e pássaros, que são os temas de seu
interesse, além do grande amor que tem pela praia e mar.
Propus que escolhêssemos uma de suas aquarelas antigas que ela não
tinha ficado satisfeita e a usasse como fundo para uma colagem.
Logo se interessou, fui mostrando o que eu havia levado e ela foi
fazendo a seleção. Angela me
indicava qual imagem queria e como eu deveria cortar e depois colava sobre a
sua aquarela. Eu segurava a figura recortada, Angela passava a cola de bastão e colava no lugar de sua escolha.
Algumas vezes parava para observar o que estava fazendo e se mostrava
nitidamente satisfeita. E assim, surgiu sua obra “Pássaros”. Encerramos nosso
encontro com a promessa de que na próxima semana ela iria avaliar se o trabalho
estava pronto ou não.
_. Mas eu posso dizer se está bom ou não? Pergunta Angela, antes de nos despedirmos.
_ Claro, o trabalho é seu. É você quem diz se terminou ou não.
Hoje, ao chegar na casa de saúde, fui buscar Angela na sala grande, onde todos os moradores se reúnem. Fomos
para o jardim, e sempre ficamos de frente a uma grande árvore, cheia de
orquídeas penduradas. Uso como apoio o banco do jardim. Chego sempre parecendo
Mary Poppins, carregando uma grande sacola com todos os materiais que iremos
precisar para o dia. Além disso, levo uma mesa adaptada para amarrar na cadeira
de rodas e uma caixinha de som, para trabalharmos escutando música. Hoje,
outras moradoras ficaram no jardim conosco escutando as músicas.
Enquanto vou me organizando coloco um pequeno cavalete com o iPad sobre
a mesa para que ela possa jogar quebra-cabeças. Baixei uma coleção deles e, é um
sucesso. Ela consegue escolher as figuras do quebra-cabeças e monta muito bem.
No começo eram quatro peças grandes, agora já está fazendo com 16 peças.
Depois de tudo arrumado, apresento o trabalho da semana passada e pergunto
se está pronto ou se podemos continuar. Angela
diz que quer trabalhar mais um pouco nele.
Quer pintar o céu como está hoje, muito azul. Depois de um tempo resolve
que as figuras dos pássaros não estavam no lugar certo. Trocamos os lugares e
ela me diz que gostaria de saber o nome de cada um dos pássaros que estão em
sua colagem.
Eu não sei. Ela diz que o amarelo se parece com um que vem sempre ao
jardim conversar com ela:
Angela _. Acho que é Sabiá.
Eles sempre vêm conversar comigo quando estou aqui no jardim.
AC- Você consegue conversar com os pássaros? Eu pergunto.
Angela _ Sim. Eles chegam
alegres falando alto e eu respondo.
AC_ E o que eles falam?
Angela _. Eles dizem que eu
estou bem e que sou bonita.
AC- Nossa, é um privilégio conseguir conversar com os pássaros, não é?
Angela _. É sim. Eu fico
feliz de falar com eles.
quarta-feira, 15 de março de 2017
Flor-de-Lis
No domingo um casal de amigos veio aqui em
casa. Na verdade, não são apenas um casal de amigos, eles são um casal de
amigos bruxos. Não os associem à bruxaria do mal, com coisas do submundo. Eles
entendem de coisas que estão por aí, que não vemos, mas sentimos. Conseguem
interpretar o que está sussurrando. Compreendem as ressonâncias e as
reverberações. São bruxos encantadores.
Mostrei a eles o trabalho que fiz junto com
minha prima no sítio em Vinhedo. Minha prima havia perdido o marido e fiquei
com ela durante uma semana para ajudar o seu fortalecimento. No meio do
turbilhão do luto, da perda da pessoa amada, do fim de um sonho de uma
aposentadoria tranquila no sítio, minha querida prima se sentiu só. Sem nada,
sem planos, sem companheiro, sem suas bagunças. Só.
Fui arrumando com ela as coisas de fora para
dentro. O entorno da casa estava largado. Fomos guardando coisas que haviam
sobrado do churrasco que não terminou. Limpamos a churrasqueira, guardamos as
grelhas. Retiramos as latas e garrafas. Limpamos o terraço. Recolhemos as
ferramentas espalhadas pelo jardim e organizamos o depósito. No meio de tudo
isso, jogado no tempo um carretel de madeira gigante estava esquecido no
quintal. Minha prima diz que sempre quis fazer dele uma mesa com mosaico. Não
tive menor dúvida, é isso que vamos fazer, catar e colar caquinhos de fora para
dentro, para poder soltar o que está dentro para fora. Como um carretel.
Meu trabalho como arteterapeuta era auxiliar
e incentivar a sua criação e observar o seu caminho, suas reações, expressões e
falas e desenvolver um diálogo onde ela pudesse viver o seu luto, procurar
soluções por meio de sua produção simbólica.
Por meio do mosaico, fomos confrontando suas
dores, suas dificuldades e colocando no lugar suas ideias e emoções,
organizando seus conteúdos, se descobrindo e aumentando sua autoestima e
autoconhecimento.
Do mosaico que criamos surgiu uma Flor de Lis
no olhar de meu amigo bruxo. Ele me explica que a Flor de Lis carrega uma
potência de recriação de vida, de mensagem de uma nova Era, um processo de
limpeza para um novo porvir. A Flor-de-Lis, para o sistema havaiano de cura Ho’oponopono
é o símbolo de paz, onde algo irá mudar, é um veículo de luz, é a nova aliança
entre o céu e a terra conectando diferentes dimensões.
A forma de usar a Flor-de-Lis é coloca-la
sobre a situação conflituosa. São os nossos conflitos internos, nossos pensamentos
que estão em constante guerra conosco. Se estamos bem, tudo fica bem. A paz
começa conosco. Para meu amigo bruxo, ao colocarmos a Flor-de-Lis sobre o tampo
da mesa para fazer o mosaico estávamos colocando de lado o sofrimento e as
preocupações e difundindo uma cultura de paz.
Essa leitura externa do trabalho feito em
Vinhedo, que acabou envolvendo minha prima e sua filha e a filha de sua filha,
em um momento de grande paz interior, me fez ter a certeza do poder
transformador do fazer artístico. Estávamos assim, por meio da arteterapia,
reorganizando o caos, ressignificando afetos, transformando emoções,
reordenando mundos, reutilizando materiais, mudando a percepção do mundo e
abrindo caminhos para o enfrentamento de uma nova etapa na vida.
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